O PESRM => Socioeconomia => Apropriação dos Recursos Naturais e Situações de Conflito

 
A presença de cães, gatos, eqüinos e plantas exóticas nas áreas internas ao parque e adjacências está relacionada tanto com as famílias moradoras no interior da UC quanto às das áreas urbanizadas do entorno. Cultivo de mandioca, milho e banana são observados em residências que se confrontam com o PESRM na região do Alto Mineirão (ruas Professor José Moreira e Luiz de Souza Lima). Propriedades agrícolas vizinhas ao Parque na região de Ibirité (foto), utilizam o fogo para limpeza dos terrenos e insumos químicos nas hortas, aumentando o risco a incêndios e à contaminação do solo e lençol freático. Atividades de contemplação e de cultos religiosos são freqüentes no parque gerando pisoteio da vegetação, alargamento de trilhas, criação de trilhas sociais paralelas e erosão, notadamente, na região do Mirante dos Veados e dos campos ferruginosos.

É bastante comum no PESRM a depredação e o roubo de materiais de postos de vigilância abandonados, de placas de sinalização, cercas e alambrados (Peixoto 2004). Pontos críticos da região do entorno como a favela chamada “Gogó da Gia”, município de Belo Horizonte, nas cercanias da APE Barreiro, apresentam altíssimo índice de marginalidade, com probabilidade de ocorrência de assaltos a visitantes e pesquisadores. No interior do parque a violência urbana se faz presente, com níveis de insegurança atuais muito altos. Como exemplo, são freqüentes as ações de desovas de cadáveres e de veículos roubados nas áreas no pé da Serra do Rola Moça.

A incidência de caça de espécies animais silvestres como o Tatu, Macuco e Veados (Peixoto 2004) ainda ocorre em algumas regiões do parque, principalmente nas proximidades de Ibirité. A deposição de lixo doméstico e entulho nas zonas urbanizadas do entorno ocorre indiscriminadamente, notadamente ao longo da estrada de asfalto, trilhas e mirantes devido à falta de fiscalização nessas áreas e ausência de programas de educação ambiental e integração com gestores municipais.

A coleta de plantas medicinais, ornamentais e lenha é uma prática estabelecida por moradores de várias comunidades do entorno, segundo entrevistas junto aos guardas-parque do PESRM e levantamentos de ocorrências da Polícia Militar. A incidência de coleta é maior para as espécies de flora, com valor comercial em Belo Horizonte.

Um projeto conjunto foi elaborado pela diretoria de Educação Ambiental do PESRM e pela Fundação Dom Cabral para determinar e difundir entre produtores locais, a viabilidade técnica e econômica de propagação comercial de espécies nativas ornamentais e ameaçadas, do PESRM. Tal projeto ainda carece de financiamento para viabilizar seus objetivos.

Espécies de plantas medicinais e ornamentais coletadas indevidamente no PESRM

Ornamentais

orquídeas

Sophronites e Oncidium , Bifrenaria sp , Prostechea vespa , e Pleurothallis teres

 

cactus

Arthrocereus glasiovii

 

bromélias

Dickia simulans , Vriesea minarum , Billbergia sp. e Tillandsia stricta

 

canelas-de-ema

várias espécies de Vellozia

 

gloxínias

Sinningia rupicola e Sinningia alagophylla

Artesanato

gramíneas e Eriocaulaceas

Algumas espécies

Medicinais

ramos de arnica

Lichnophora pinnaster e Lichnophora ericoides

 

touceiras de Macela do Campo

Achyrocline albicans

 

cascas de Barbatimão

Striphrodendron polyphyllum

Comestíveis

Gabiroba, Pequi e Jatobá

 

Lenha

Troncos de canelas-de-ema

várias espécies de Vellozia