Região =>Caracterização Ambiental => Vegetação => Refúgios Ecológicos (Campos Rupestres)


No Sistema dos Refúgios Ecológicos (também denominadas Relíquias), foram incluídas toda e qualquer vegetação floristicamente diferente do contexto geral da flora dominante na Região Ecológica ou do tipo de Vegetação (Veloso et al. , 1991). Nessa tipologia estão incluídos os Campos Rupestres da Cadeia do Espinhaço formações herbáceo-arbustivas associadas a afloramentos rochosos ou solos rasos localizados nas serras do sul da Bahia, Goiás e Minas Gerais, em altitudes de 1000 a 1800m (Eiten, 1983). A vegetação é constituída basicamente por um estrato herbáceo mais ou menos contínuo, entremeado por pequenos arbustos perenifólios e esclerófilos (endurecidos). Apesar das diversas áreas de campos rupestres possuírem uma aparência semelhante, eles não constituem um tipo de vegetação homogênea, mas um mosaico de comunidades relacionadas e controladas pela topografia, declividade, microclima e natureza do substrato (Giulietti et al. , 2000).


Os campos rupestres podem ocorrer sobre diferentes tipos de rochas. Na maior parte da Cadeia do Espinhaço, como na Chapada Diamantina e Serra do Cipó, predominam o quartzito e solos arenosos originados da decomposição dessa rocha (Giulietti et al., 1987; Harley, 1995). No Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, e na Serra do Carajás, no Pará, predomina a canga, um substrato rico em ferro, produto da laterização do solo. São rochas ferruginosas cenozóicas, compostas por fragmentos de hematita cimentados por limonita (Rizzini, 1979). Estudos florísticos realizados nos Campos Rupestres brasileiros têm sido centrados na Cadeia do Espinhaço, especialmente em solos quartzíticos (Andrade et al. , 1986; Giulietti et al. , 1987; Meguro et al. , 1994; Stannard, 1995; Conceição & Gulietti, 2002). Para a vegetação sobre canga, levantamentos florísticos são escassos e em geral referem-se à região de Carajás (Secco & Mesquita, 1983; Silva et al. , 1986; Silva & Rosa, 1990; Silva et al. , 1996). Para a região do Quadrilátero Ferrífero encontramos apenas os trabalhos de Teixeira (1997), Teixeira & Lemos Filho (2000), Porto & Silva (1989) e Vincent (2004). Os dois primeiros referem-se à distribuição de espécies lenhosas colonizadoras de uma cava abandonada de mineração, enquanto Porto & Silva (1989) analisaram as vegetações metalófilas de três regiões da Cadeia do Espinhaço, em Minas Gerais. Vincent (2004) estudou a composição florística, a estrutura fitossociológica e as relações entre a vegetação e o solo em áreas de campos ferruginosos no Quadrilátero Ferrífero. Na região o campo rupestre ocorre sobre a tanto sobre Canga como sobre o Quartzito, podendo ser denominado Campo Ferruginoso (Hematítico) ou Quartzítico, respectivamente. Contudo, as maiores extensões encontradas referem-se ao Campo Ferruginoso.