Região => Visão das comunidades sobre o entorno da Unidade de Conservação

A participação das comunidades vizinhas ao PESRM na proteção dos recursos naturais da unidade de conservação é uma estratégia fundamental para assegurar o manejo e a sustentabilidade dos recursos ambientais, objetivo maior do parque. Deve ser estimulada de forma continuada para crescimento na conscientização dos atores locais acerca dos recursos do PESRM e da potencialidade no relacionamento entre as partes. Desta forma, as parcerias devem ser fortalecidas resultando em efetiva participação no Conselho Consultivo do Parque e em programas integrados do PESRM junto às comunidades em sua área de influência direta. Um trabalho realizado em 2002 apontava que o PESRM não era reconhecido como um parque pelos atores do entorno, sendo identificado como um grande espaço vazio, resultando em usos inapropriados, muitos deles contrários à efetiva conservação da área, como atividades ilícitas (assassinatos e desova de carros roubados), provocando insegurança e receio na população. Quanto a conservação da biodiversidade, o mesmo estudo apontava a “dificuldade por parte dos atores – visitantes e moradores do entorno – em perceber a vegetação típica do cerrado, que ocupa boa parte do parque, como rica em biodiversidade e, portanto, passível de ser conservada”. (Diversidade na Adversidade: gestão de unidade de conservação em área urbana – O Parque Estadual da Serra do Rola Moça (MG), Alessandra da Cunha Peixoto, 2004). Até o presente, permanece forte a insegurança frente a violência crescente nos arredores e na área interna ao Parque, bem como a pouca valorização do PESRM como área de conservação de recursos naturais. A partir de 2003, iniciou-se uma nova fase no relacionamento entre o PESRM e algumas comunidades do entorno, com parcerias entre organizações e a administração do parque. Ainda que de maneira tímida, esta aproximação resultou em maior valorização do parque pelos grupos. De forma complementar a esta, a divulgação de informações sobre o PESRM pelo jornal da APA Sul e o estabelecimento de uma gerência de comunicação foram ações que refletiram, de forma positiva, na visão do parque pela comunidade. A valorização do parque vem na medida em que este garante a qualidade de vida para a população da região, pelo contato com a natureza, oferta de ar puro, beleza da paisagem, presença de nascentes, evidenciando-se como um dos maiores atrativos da região. Para crescimento da integração parque-comunidade é importante superar o desconhecimento do processo de demarcação do mesmo. Lideranças do entorno evidenciam fatores prejudiciais à conservação dos recursos do PESRM, muitas delas, provocadas pelas populações dos bairros do entorno como: desmatamento de áreas verdes de lotes lindeiros ao parque provocando ressecamento de nascentes; matança de animais pela alta velocidade desenvolvida na estrada que corta o parque rumo à Casa Branca; incêndios no parque provocados por velas e fogueiras santas, bem como pela queima de lixo nos terrenos; banho dentro da represa da COPASA; utilização do parque para pastagem de animais; retirada de madeira para lenha e reforma de cerca. As expectativas levantadas junto a lideranças da região vislumbram ações de integração com o parque: promover o conhecimento das nascentes de dentro e de fora do parque; orientar grupos no cultivo das plantas coletadas no PESRM; instalar um centro com atividades de educação ambiental; implantar um projeto turístico, treinando a comunidade para ser guia; estabelecer parceria com a comunidade na vigilância do parque.