Região => Uso e Ocupação do Território na Região do Parque

O Parque Estadual da Serra do Rola Moça está inserido em uma área predominantemente urbana, sendo composto por parte do território da capital, Belo Horizonte, e de mais três municípios, Brumadinho, Ibirité e Nova Lima. Nas proximidades da Unidade de Conservação as terras são ocupadas por moradores, indústrias, mineração e utilizadas para atividades primárias, esta última, em franca redução. O grau de urbanização do conjunto metropolitano é elevado, sendo de 97,55% em 2000, comportamento este encontrado na maioria dos municípios componentes da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A capital já apresenta grau de urbanização de 100% e Nova Lima de 97,9%. Este elevado índice de pressão urbana confere ao PESRM uma situação distinta ao panorama nacional de Unidades de Conservação, devendo ser objeto de atenção tanto no que se refere à conservação dos recursos naturais, bem como pela peculiaridade que esta condição traz nas relações com o entorno e grupos visitantes.

O entorno imediato do PESRM apresenta perfil econômico bastante complexo e diferenciado. O uso residencial convive no bairro, lado a lado, com atividades industriais, comerciais e de prestação de serviços. O adensamento é um risco, visto que já há um número muito grande de lotes parcelados e comercializados nos condomínios da região, à espera de serem ocupados. A pressão urbana vem rapidamente se sobrepondo às áreas rurais, sendo uma tendência a polarização entre regiões mais carentes como, por exemplo, o Complexo do Barreiro e Bairro Independência, e áreas de condomínios de luxo, como Casa Branca, Alphaville e Retiro das Pedras.

Possivelmente, o crescimento populacional será bem mais expressivo ao longo da BR-040, onde as áreas apresentam topografia mais plana, embora com presença de atividade mineradora significativa. A ausência de uma ligação viária direta entre o segmento sul do município e a sede municipal faz supor que os efeitos econômicos positivos da expansão populacional ao longo deste eixo sejam maiores sobre Belo Horizonte, a região comercial do Belvedere e o Bairro Jardim Canadá, que vem se apresentando como um centro comercial e prestador de serviços para condomínios próximos. Este dinamismo econômico pode contribuir para manter a tendência acelerada de crescimento populacional local.

As principais pressões ambientais dos municípios do entorno do PESRM são resultado das informações colhidas nas entrevistas qualitativas com lideranças locais e nas oficinas participativas com a presença dos consultores de diferentes áreas temáticas envolvidos no Plano de Manejo, da equipe administrativa do Parque e técnicos da sede do IEF (Quadro 2.5). As pressões que foram destacadas são: 1) Animais domésticos, principalmente, cachorros soltos e perambulando pelo parque; 2) Lixo; 3) Saneamento; 4) Fogo; 5) Expansão urbana; 6) Violência; 7) Mineração; 8) Veículos pesados na estrada interna do parque; 9) Atividades econômicas impactantes e; 10) Retirada de recursos naturais. Está ordem de apresentação das pressões não representa a importância atribuída a cada uma destas, pois esta discussão não foi promovida. Portanto, as dez pressões listadas acima foram definidas e utilizadas para caracterizar as atividades humanas da região mais importantes que, direta e/ou indiretamente, afetam o PESRM.

Para a construção do mapa das principais pressões ambientais do entorno do PESRM, foram utilizados dois critérios: tipo de pressão e a intensidade de cada pressão sobre a região do entorno do Parque. Assim, foi utilizada uma escala de 0 a 3 para avaliar a intensidade de cada uma das pressões do entorno do Parque. Esta escala representa nenhuma importância na região (zero) até níveis altos de impacto da pressão (3; alta intensidade). As categorias, baixa (1), média (2) e alta (3), foram identificadas no mapa por cores, de acordo com a intensidade: verde=baixa, azul=média e vermelha=alta.

O resultado da avaliação qualitativa das pressões antrópicas pode ser visto no Quadro 2.5. As pressões identificadas como as mais importantes concentram-se nos municípios de Nova Lima, Belo Horizonte, Ibirité e Brumadinho, sendo o fogo, o lixo e a expansão urbana as interferências humanas de maior destaque ao longo do processo de análise das pressões da região do PESRM.

Quadro 2.5. Síntese da avaliação qualitativa da intensidade das principais pressões antrópicas identificadas para a região do Parque Estadual da Serra do Rola Moça, MG. Os critérios utilizados foram: pressão inexistente (0), baixa (1), média (2) e alta (3). A média da pressão indica a ordem decrescente de importância desta para a região do Parque.

A média dos valores atribuídos para cada região indica que a intensidade das pressões antrópicas da região da Estação Ecológica de Fechos é menor em relação as demais áreas ou regiões de estudo do entorno do Parque. Já a média dos resultados sobre a intensidade das pressões identificadas nos municípios de Nova Lima, Belo Horizonte e Ibirité indicam que estes exercem forte pressão sobre a área do PESRM sendo, portanto, áreas prioritárias para o monitoramento e controle destas interferências humanas que confrontam com os objetivos do Parque. O município de Brumadinho apresentou níveis intermediários de pressão antrópica devendo, portanto, também ser considerado nas ações de controle das pressões externas ao Parque.

As tonalidades definidas para os municípios que integram o Parque representam o resultado das médias dos diferentes níveis de pressão antrópica por região, de acordo com o seguinte critério: valores iguais ou maiores que 2,0 indicam uma região de alta interferência humana; entre 1,9 e 1,1 regiões de média interferência humana; e valores iguais ou menores que 1,0 indicam nível baixo de interferência humana.