Programa de Proteção das Espécies Ameaçadas
de Extinção da Mata Atlântica Brasileira

A Conservar a biodiversidade do planeta é o grande desafio do novo milênio. A velocidade das alterações dos ecossistemas e da exploração dos recursos naturais é infinitamente maior do que a de implementação de medidas que efetivamente protejam as espécies e suas populações da extinção ou do empobrecimento genético e ecológico. Os países tropicais, notoriamente os maiores detentores da biodiversidade global, enfrentam uma situação crítica, já que parte considerável das espécies que os habitam estão atualmente ameaçadas de extinção.

O Programa Espécies Ameaçadas, subsidiado pelo Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) e coordenado pela Fundação Biodiversitas e pelo Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAM), tem como objetivo máximo promover a proteção e o manejo das espécies da fauna e flora ameaçadas da Mata Atlântica do Brasil.

A cobertura florestal atual da Mata Atlântica corresponde a menos de 8% da sua extensão original. Apesar das medidas de conservação e do arcabouço legal priorizando a sua proteção, o bioma continua sendo alvo de intensa devastação. Como conseqüência, centenas de espécies encontram-se sob forte pressão de extinção, o que coloca o Brasil entre os países com o maior número de espécies com risco de desaparecimento. Mesmo assim, a Mata Atlântica abriga ainda uma parcela significativa de diversidade biológica do Brasil, com altíssimos níveis de endemismo. São mais de 20.000 espécies de plantas vasculares e mais de 2.000 espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes, sendo que aproximadamente 40% dessas espécies são endêmicas ao bioma.

Em virtude da sua riqueza biológica e níveis de ameaça, a Mata Atlântica, ao lado de outras 24 regiões localizadas em diferentes partes do planeta, foi indicada como um dos hotspots de biodiversidade, ou seja, uma das prioridades para a conservação global.

A urgente necessidade de implementar ações de conservação para as espécies ameaçadas da Mata Atlântica, aliada à escassez de informações científicas e às limitações de recursos humanos e financeiros traduzem a importância desse Programa. Seus idealizadores acreditam que, através do fomento à pesquisa, é possível gerar respostas e subsídios para a proteção de espécies e recuperação de ecossistemas, de modo a alterar positivamente o destino desta biota.