ANO
1 :: Nº 3:: 24 DE JULHO DE 2006 |
Chegamos
ao nosso terceiro Boletim com um pedido especial àqueles
pesquisadores que têm conhecimento sobre a biodiversidade
de Minas Gerais. Com a revisão das suas listas vermelhas
de animais e plantas, a disponibilização do
conhecimento científico sobre as espécies e
ambientes naturais do Estado será determinante para
a qualidade do resultado esperado para o trabalho. Sabemos,
contudo, que uma grande parcela desse conhecimento não
pode ser encontrada na literatura especializada, mas reside
na vivência de campo dos pesquisadores e técnicos
ambientais. É nosso compromisso relatar ao Estado a
situação real em que se encontra a biodiversidade
em Minas Gerais, municiando-o de informações
que demonstrem a eficiência ou não das medidas
e políticas que vem adotando para não colocá-la
em risco. Entretanto, caso não haja um empenho conjunto,
os resultados poderão ficar aquém do esperado
e, mais, não teremos instrumentos legais capazes de
fazer cumprir com as urgências de conservação
para as espécies. Assim, reforço o convite já
enviando aos especialistas para que dêem sua contribuição
no processo, auxiliando a todos no encontro do melhor modelo
para conciliar conservação e desenvolvimento.
Gláucia Moreira Drummond
Superintendente Técnica
Fundação Biodiversitas
O
que você precisa saber:
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COMO
SÃO FEITAS AS LISTAS VERMELHAS:
As listas vermelhas são feitas a partir da compilação
e sistematização de dados de pesquisas científicas
sobre as espécies, os quais servem de subsídio
para a avaliação do seu risco de extinção.
De modo resumido, podemos dizer que esses dados dizem respeito
à situação populacional das espécies
em seu hábitat natural e o estado de conservação
desses ambientes, ditado, na maioria das vezes, pelas modalidades
de uso da terra adotadas para se atingir uma meta desenvolvimentista.
A perda de porções do hábitat ocupado
por uma dada espécie pode significar um fator de ameaça
à sua sobrevivência e, quanto mais restrito esse
hábitat, maior o risco à espécie. Os
critérios de avaliação do risco de extinção
das espécies levam em conta as escalas temporal e espacial
e por isso exigem a reunião de dados históricos
sobre as mesmas. Espécies novas dificilmente são
avaliadas como ameaçadas, assim como aquelas em que
os estudos a elas dedicados ocorreram pontualmente, seja no
tempo ou no espaço. Assim, a revisão regular
das listas vermelhas é uma importante medida a ser
incorporada pelos países e estados por permitir a análise
de dados atualizados sobre as espécies, avaliando se
os investimentos em conservação estão
sendo corretamente endereçados.
COMO
A BIODIVERSITAS RECOMENDA A ELABORAÇÃO DE UMA
LISTA VERMELHA:
Recomenda-se que sejam elaboradas em etapas. Na primeira delas,
uma listagem prévia deve ser formulada por especialistas.
Em seguida, essas espécies, denominadas candidatas,
são submetidas a uma consulta ampla. Hoje, com as facilidades
das ferramentas digitais, essa consulta pode ser realizada
através da Internet, aumentando-se com agilidade o
leque de informações disponíveis sobre
as mesmas. Nesta fase, um banco de dados online é
formatado e alimentado por pesquisadores de universidades,
museus, organizações, instituições
científicas e de pesquisas de todo o país com
informações diversificadas sobre as espécies
candidatas. A fase seguinte é a realização
de um workshop para análise dos dados e formulação
da lista final. O último passo é encaminhar
esta lista aos órgãos responsáveis por
sua homologação, os quais têm um papel
decisivo na proteção das espécies.
Consulta
ampla para a Lista da Flora de Minas Gerais vai até
05 de agosto
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O projeto
de revisão da Lista da Flora Ameaçada de Minas
Gerais, atualmente na fase de consulta ampla, será
finalizado no mês de agosto, durante workshop
a ser realizado em Belo Horizonte/MG. Para a presente etapa,
que vigora até o próximo dia 05, a Biodiversitas
desenvolveu um sistema inédito para a avaliação
do risco de extinção das espécies,
no qual o programa combina as informações
disponibilizadas pelos especialistas indicando os critérios
e a categoria de ameaça que caracterizam mais adequadamente
seu estado de conservação. A lista oficial
da flora ameaçada de extinção em vigor
em Minas Gerais apresenta 537 espécies, distribuídas
em 80 famílias, classificadas nas categorias Provavelmente
Extinta, Criticamente em Perigo, Em Perigo e Vulnerável.
Além disso, na época de sua elaboração,
em 1997, foram relacionadas em uma segunda lista 450 espécies
consideradas Presumivelmente Ameaçadas de
Extinção. Essas listas, acrescidas
das espécies classificadas como ameaçadas
segundo o Workshop de Revisão da Lista da
Flora Brasileira Ameaçada de Extinção,
realizado em junho de 2005, com ocorrência no território
mineiro, servem de base para a elaboração
da nova lista vermelha do Estado.
O
evento no qual serão compiladas e discutidas as propostas
feitas pelos especialistas para a aprovação
da lista definitiva a ser encaminhada ao Conselho Estadual
de Política Ambiental (COPAM) para homologação
está marcado para o mês de agosto e acontece
em Belo Horizonte (MG).
Saiba
mais: www.biodiversitas.org.br/listasmg
Lista
da Fauna de Minas Gerais será gerada a partir
da avaliação do estado de conservação
de todas as espécies com ocorrência no
Estado
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Chrysocyon
brachyurus
Foto: Flávio Rodrigues |
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Dando
continuidade ao processo de revisão das listas
vermelhas estaduais, a Fundação Biodiversitas,
em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente
e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD) e Instituto
Estadual de Florestas (IEF), abriu no dia 05 de julho
a consulta ampla para a revisão da Lista da
Fauna Ameaçada de Minas Gerais. Esta etapa
do projeto vai até 25 de agosto e as propostas
feitas pelos especialistas serão compiladas
e discutidas em workshop, no mês de
setembro, para a aprovação da lista
de espécies sob risco de extinção
a ser encaminhada para homologação.
O
principal diferencial deste projeto foi proposto pela
Biodiversitas. Será realizada uma avaliação
de todas as espécies da fauna que ocorrem
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estado
para que, a partir desta análise, seja gerada a Lista
Vermelha. A
lista mundial de espécies ameaçadas de extinção
é feita periodicamente pela União Mundial para
a Natureza – IUCN. No
entanto, para tentar reverter o processo de extinção
através da adoção de medidas concretas
de proteção, é essencial a avaliação
do declínio regional e local, como é o caso
das listas de animais e plantas ameaçadas de extinção
no Brasil e nos estados.
“A revisão periódica dessas listas é
um recurso fundamental para alertar a sociedade e o governo
para uma mudança de comportamento e adoção
de medidas efetivas para reverter a situação
de ameaça”, ressalta a Superintendente Técnica
da Fundação Biodiversitas, Gláucia Drummond.
A lista oficial da fauna ameaçada de extinção
em Minas Gerais apresenta 178 espécies, distribuídas
em seis grupos: Mamíferos, Aves, Répteis, Anfíbios,
Peixes e Invertebrados. Essas espécies foram classificadas
nas categorias de ameaça Provavelmente Extinta,
Criticamente em Perigo, Em Perigo e Vulnerável.
Além disso, foi elaborada uma segunda lista para aquelas
espécies consideradas Presumivelmente Ameaçadas
de Extinção, para a qual foram indicadas
165 espécies.
Saiba mais: www.biodiversitas.org.br/listasmg
Implementação da Aliança Brasileira
Para Extinção Zero (BAZE) tem início
em agosto
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A implementação da Aliança Brasileira
para Extinção Zero (Brazilian Alliance for
Zero Extinction – BAZE), cujo Protocolo de Intenções
foi formalmente assinado no dia 22 de maio, em Brasília,
terá início no mês de agosto. Coordenado
pela Fundação Biodiversitas e financiado pela
Conservação Internacional (CI Brasil), o projeto
“Identificação dos Sítios Prioritários
para a Conservação das Espécies Ameaçadas
de Extinção no Âmbito da Aliança
Brasileira para Extinção Zero – BAZE”
irá identificar prioridades e estabelecer planos de
ação para a conservação da biodiversidade
do país.
Em um esforço conjunto de cerca de 40 instituições
já filiadas à iniciativa e com a utilização
de uma base de dados completa sobre a ocorrência de
espécies da fauna e flora brasileiras, a Aliança
Brasileira para Extinção Zero (BAZE) irá
refinar o conjunto de informações já
produzido por meio da identificação de sítios
prioritários que reflitam mais precisamente as áreas-chave
para a conservação das espécies ameaçadas
no país. A partir disso, serão elaborados mapas
e planos de ação que terão como espécies-foco
aquelas classificadas nas categorias Extinta na Natureza (EW),
Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável
(VU), segundo a Lista da Fauna Brasileira Ameaçada
de Extinção (Machado et al., 2005),
a Lista Vermelha do Workshop da Flora Ameaçada
do Brasil (2005) e a Lista Vermelha da IUCN de 2006 (IUCN,
2006).
São
parceiros da Aliança instituições governamentais
federais, estaduais e municipais, instituições
da sociedade civil organizada, incluindo a comunidade acadêmica,
ONGs, movimentos sociais, comunidades indígenas e locais,
além da iniciativa privada. A adesão à
Aliança pode ser feita a qualquer tempo, a partir da
sua implementação.
Saiba
mais: www.biodiversitas.org.br/baze
/ www.zeroextinction.org
Parque Estadual do Itacolomi abriga 8,53% das espécies
conhecidas em Minas Gerais
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Estudos
realizados pela Fundação Biodiversitas
durante a elaboração do Plano de Manejo
do Parque Estadual do Itacolomi, em Minas Gerais,
identificaram 1.033 espécies de vertebrados
(com exceção de peixes) e plantas vasculares
com ocorrência na área. Este número
significa que, entre todas as espécies conhecidas
no estado, pelo menos 8,53% são encontradas
nesta unidade de conservação. Do total
de espécies registradas, 2,71% estão
em alguma das categorias de ameaça segundo
as listas de Minas Gerais (COPAM, 1997) e do Brasil
(MMA, 2003), e algumas são classificadas nas
categorias Quase Ameaçada ou Deficiente em
Dados na lista da União Mundial para a Natureza
(IUCN).
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Myrmecophaga
tridactyla
Foto: Fábio Colombini |
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Entre as espécies da fauna identificadas no Parque,
apenas o pato-mergulhão (Mergus Octocetaceus)
figura na categoria Criticamente em Perigo nas listas estadual,
nacional e global. O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga
tridactyla), a onça-pintada (Panthera onca),
o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) e a lontra
(Lontra longicaudis) são exemplos de mamíferos
registrados na área e que aparecem tanto na Lista das
Espécies Ameaçadas da Fauna de Minas Gerais
(1998), quanto na lista nacional (2003), todas na categoria
Vulnerável. Para a flora, 16 espécies entre
as identificadas estão ameaçadas, sendo cinco
incluídas na lista nacional (IBAMA, 1989) e onze de
acordo com a lista estadual (COPAM, 1997).
Esses dados reforçam a importância das unidades
de conservação como estratégia para a
conservação da biodiversidade. O Plano de Manejo
do Parque Estadual do Itacolomi foi desenvolvido pela Fundação
Biodiversitas e será apresentado ao Instituto Estadual
de Florestas (IEF) ainda em julho.
Pará é o sétimo estado brasileiro
a elaborar sua lista vermelha
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O
estado do Pará acaba de elaborar sua lista vermelha,
passando a ser o sétimo do país a possuir
a lista e o primeiro da Amazônia brasileira a ter
este tipo de documento. Realizado nos dias 28 e 29 de junho,
o workshop que definiu a lista reuniu mais de 50
especialistas de todo o país no Museu Emílio
Goeldi, em Belém. Foram analisadas mais de 700 plantas
e animais, sendo consideradas ameaçadas de extinção
176 espécies. Destas, 11 foram categorizadas como
Criticamente em Perigo, 40 como Em Perigo e 125 classificadas
na categoria Vulnerável. A formulação
desta lista é resultado do Projeto Biota Pará,
uma parceria do Museu Emílio Goeldi com a Conservação
Internacional (CI-Brasil), desenvolvida desde 2003. “É
de fundamental importância que as espécies
que constam nesta lista sejam agora priorizadas para estudos
científicos, aprimorando informações
sobre distribuição geográfica, bem
como estimativas mais refinadas do tamanho de suas populações.
A lista deve ser utilizada como instrumento de apoio na
formulação de políticas ambientais
no Estado, subsidiando, por exemplo, o ZEE (Zoneamento Econômico-Ecológico)
na definição de áreas prioritárias
para conservação”, afirma Dário
Dantas do Amaral, do Museu Emílio Goeldi. Para ser
oficializada, a lista será encaminhada à Sectam,
órgão que fará sua homologação.
Saiba
mais: www.museu-goeldi.br
Anfíbios em risco
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Pesquisadores de todo o mundo se uniram para um pedido de
socorro em favor dos anfíbios na última edição
da revista americana Science. Segundo os cientistas,
32,5% das espécies conhecidas de anfíbios
estão sob risco de extinção e serão
necessários investimentos de cerca de US$ 400 milhões
nos próximos cinco anos para reverter a situação.
Informações da Aliança para a Sobrevivência
dos Anfíbios (ASA, na sigla inglesa) mostram que
mais de 120 das cerca de seis mil espécies conhecidas
já foram extintas desde a década de 1980 e
que mais de 50% das sobreviventes vem sofrendo declínios
de população. Simon Stuart, pesquisador da
ONG Conservação Internacional, afirmou em
entrevista ao jornal Folha de São Paulo que ainda
existem milhares de espécies de anfíbios ainda
não descobertas, ressaltando que no Brasil e no resto
da América do Sul muitas novas espécies estão
sendo descritas agora e que regiões potencialmente
ricas em anfíbios, como Papua-Nova Guiné,
Indonésia e África Equatorial, entre outras,
ainda são pouco mais que um ponto de interrogação.
No Brasil, uma das ações em andamento em prol
do grupo de anfíbios é o edital específico
do Programa de Proteção às Espécies
Ameaçadas da Mata Atlântica, lançado
dia 05 de julho. Coordenado pela Fundação
Biodiversitas, em parceria com o CEPAN (Centro de Pesquisas
Ambientais do Nordeste), com financiamento da Conservação
Internacional do Brasil, o edital, que conta ainda com o
apoio da Sociedade Brasileira de Herpetologia, irá
receber inscrições de projetos até
20 de agosto. Os projetos inscritos devem ter como foco
as espécies classificadas nas categorias Quase Ameaçada,
Dados Deficientes e Não Ameaçada, segundo
o Workshop do GAA (Global Amphibian Assessment),
realizado no Brasil em 2003; as que foram avaliadas em quaisquer
das categorias de ameaça da IUCN, isto é Criticamente
Em Perigo, Em Perigo e Vulnerável, segundo a Lista
Consistente do GAA; além de grupos de espécies
que apresentem declínios populacionais evidentes.
Saiba mais:
www.sciencemag.org
/ www.biodiversitas.org.br
Programa de Proteção às Espécies
Ameaçadas da Mata Atlântica Brasileira
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Com quatro editais voltados para fauna e flora lançados
até o momento, o Programa de Proteção
às Espécies Ameaçadas de Extinção
da Mata Atlântica Brasileira financia, desde
2004, pesquisas que forneçam subsídios para
a proteção e o manejo de espécies da
flora e fauna ameaçadas desse bioma. Desenvolvido
com recursos do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos
(Critical Ecosystem Partnership Fund – CEPF)
e coordenado em parceria pela Fundação Biodiversitas
(BH/MG) e CEPAN (Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste),
o Programa já contabiliza um total de 46 projetos
aprovados, contemplando 59 espécies em 13 estados
do país.
Conheça nesta edição os resultados
de dois projetos:
“Estudo para a conservação da
Canela-sassafrás (Ocotea odorifera) no domínio
da Mata Atlântica do Rio Grande do Sul”
Canela-sassafrás
Foto: Paulo Brack |
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Desenvolvido
entre 2004 e 2005, o estudo sobre a conservação
da canela-sassafrás teve como objetivo averiguar
os limites de distribuição da espécie,
sua abundância, fatores de ameaça e os
caminhos necessários para sua conservação.
Conduzido pelo biólogo Paulo Brack, o projeto
constatou que a maioria das populações
conhecidas encontram-se próximas a áreas
submetidas a fortes pressões antrópicas.
No litoral norte do Rio Grande do Sul, por exemplo,
onde a canela-sassafrás está mais concentrada
nos raros remanescentes primários de Mata Atlântica,
vem crescendo a construção de estradas
e loteamentos balneários, principalmente nos
últimos 15 anos.
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No vale do rio Uruguai foram verificadas algumas coletas em
herbários de dois municípios onde várias
hidrelétricas de médio e grande porte estão
em fase de conclusão. Para completar, desde a década
de 1990 a Ocotea odorífera, que apresenta
madeira de forte aroma, vem sofrendo extrativismo irregular,
principalmente para uso artesanal.
O projeto verificou que o limite sul de distribuição
da espécie no Brasil é o município de
Taquara/RS, mostrando, ainda, que a presença da Ocotea
odorífera não foi constatada ou teve baixos
valores de abundância na grande maioria das áreas
amostradas no estado. “Com base nos resultados obtidos,
não nos resta dúvida de que a espécie
necessita de mais pesquisas e de instrumentos legais que contemplem
a necessidade urgente de medidas a seu favor no Rio Grande
do Sul”, afirma Paulo Brack.
Como principais medidas de conservação, o projeto
propõe a criação de áreas protegidas
e a realização de estudos mais abrangentes sobre
variabilidade genética e formas de propagação
e repovoamento da espécie, além de fiscalização
e controle dos produtos florestais. A recomendação
é que tais medidas devem ser viabilizadas através
do esforço conjunto de instituições públicas
e privadas, incluindo ONGs, principalmente na fiscalização
e na educação ambiental. “Estão
sendo encaminhados à Secretaria Estadual do Meio Ambiente
do Rio Grande do Sul os resultados obtidos para que a Ocotea
odorifera seja incluída no item relativo a espécies
imunes ao corte e que requerem programas de reintrodução
em sua área de abrangência, no Código
Florestal Estadual (Lei 9519 de 1992)”, completa Brack.
"Diversidade
genética e fluxo gênico em populações
naturais de pau-brasil (Caesalpinia echinata) por
meio de marcadores microssatélites”
| Em
18 meses de trabalho foram amostrados 98 indivíduos
adultos em duas populações de Caesalpinia
echinata, classificada na categoria Em Perigo
(EN), segundo a lista da IUCN (2006). Através
deste projeto foi possível constatar que o
pau-brasil apresenta estruturação genética
muito elevada em relação às demais
espécies arbóreas tropicais estudadas.
A ausência de fluxo gênico nestas populações
tende a agravar os efeitos de deriva genética
e seleção que estão ocorrendo
nos remanescentes de pau-brasil encontrados nos fragmentos
de Mata Atlântica. Outra importante conclusão
do projeto é que o número de indivíduos
nas unidades de conservação é
insuficiente para conservar a diversidade gênica
existente por longo prazo. “Pelo
critério de tamanho efetivo populacional, determinado
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Pau-brasil
Foto: Ronan Xavier Correa |
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com base nos marcadores moleculares, demonstramos que são
requeridos mais indivíduos para evitar a perda da diversidade
genética a longo prazo do que aqueles encontrados atualmente
nos fragmentos de Mata Atlântica”, explica Ronan
Xavier Corrêa, da Universidade Estadual de Santa Cruz
(UESC) e responsável técnico pelo projeto.
Como medidas efetivas de conservação, o projeto
aponta a criação de unidades permanentes de
conservação in situ nos sítios
de maior diversidade e o fomento à implantação
de áreas de conservação ex situ,
cuja constituição deverá considerar aspectos
ecológicos e genéticos. Como se trata de uma
espécie de ciclo longo, a recomendação
é implantar essas ações a curto prazo,
já que seus benefícios somente serão
notados após décadas. Ainda de acordo com as
conclusões do estudo, C. echinata deve ser
mantida na lista de ameaçadas, já que persiste
a diminuição dos fragmentos de Mata Atlântica,
as populações naturais da espécie têm
tamanho reduzido, ocorre exploração clandestina,
o número de unidades de conservação nas
quais existe pau-brasil é insuficiente e é baixa
a quantidade de plantações para abastecer o
mercado potencial de uso da madeira.
“Nosso trabalho foi fundamental para melhor entendermos
a estrutura genética dessas populações
de pau-brasil”, afirma Ronan. Mesmo assim, o pesquisador
afirma que ainda não há informações
suficientes para se responder definitivamente a todas as perguntas
sobre a espécie, uma vez que os estudos com este objetivo
precisam abranger um número maior de populações.
“Neste sentido, estamos identificando novas unidades
amostrais e buscando novas oportunidades para realizar esses
estudos”, completa.
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