ANO
3 :: Nº 17 :: 29 DE FEVEREIRO DE 2008 |
Caro leitor,
Na abertura desse Boletim, o primeiro do ano de 2008, vou
me dedicar a fazer um convite para a comunidade científica,
instituições de ensino superior e pesquisa e
entidades gestoras do Estado. A Secretária Estadual
de Ciência e Tecnologia e Ensino Superior – SECTES/MG
está fomentando a elaboração de um diagnóstico
para a implementação de um programa de financiamento
de pesquisas ligadas à conservação e
uso da biodiversidade, o Programa Biota Minas. A Fundação
Biodiversitas está realizando o papel de facilitadora
do processo, congregando contribuições dos agentes
acima relacionados no que diz respeito às demandas
e prioridades para o desenvolvimento científico e tecnológico
de Minas Gerais. Para isso, foi desenvolvido um banco de dados,
acessível pelo site www.biodiversitas.org.br/biotaminas,
onde estas indicações poderão ser feitas.
É uma diretriz da SECTES e da Biodiversitas que esse
diagnóstico tenha uma ampla participação
e que seja realmente representativo das instituições
de âmbito estadual. Estamos cientes de que esse é
um grande desafio e por isso aproveitamos este espaço
para solicitar a sua colaboração, que será
considerada na estruturação do Programa. Enfatizamos
que, no nosso entendimento, o objetivo último desse
diagnóstico é conhecer as demandas por você
indicadas, de modo que o Estado concentre seus esforços
no seu atendimento e na formulação de políticas
públicas de desenvolvimento científico, econômico
e de conservação. Antecipamos que o banco de
dados é de fácil preenchimento. Para
participar utilize as senhas, grupo: biotaminas e senha de
grupo: sectes, assim mesmo, com letras minúsculas.
Será uma honra ter você como parceiro.
Gláucia Moreira Drummond
Superintendente Técnica
Fundação Biodiversitas
Artigo
do Pesquisador
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Este espaço será dedicado à
publicação de artigos focados em espécies
da fauna e flora ameaçadas de extinção,
áreas protegidas, pesquisas em biodiversidade,
políticas públicas e fomento às
pesquisas, entre outros, encaminhados por pesquisadores
de renome de todo o país.
Pesquisador, envie seu artigo para: comunicacao@biodiversitas.org.br
Listas Vermelhas: a ponta do iceberg
Uma
das estratégias básicas para a avaliação
do status de conservação das espécies
é a elaboração das listas vermelhas.
Mundialmente utilizadas, essas listas, têm o
objetivo de alertar sobre a perda da biodiversidade
e orientar medidas de proteção às
espécies. Se elaboradas com critérios
científicos, claros e bem definidos, permitem
avaliar, ao longo do tempo, o comportamento das espécies
frente às mudanças ambientais. Contudo,
a existência de dados adequados é uma
exigência básica para se definir o status
de conservação de um dado táxon.
O conhecimento sobre a biologia, ecologia, demografia,
distribuição geográfica, hábitats-chave,
ameaças, entre outros, são aspectos
essenciais nas avaliações de risco de
extinção. No Brasil, para as últimas
revisões das listas de espécies ameaçadas
da sua fauna e flora, foram adotados os critérios
da IUCN - União Mundial para a Natureza, que
também possibilita uma hierarquização
das espécies em categorias de ameaça.
Nas situações onde há limitação
de recursos, financeiros e humanos, essas categorias,
que indicam o grau de risco, ou a urgência de
ações conservacionistas, auxiliam às
tomadas de decisão sobre a priorização
dos recursos. Muito se tem discutido no Brasil sobre
os processos de elaboração e resultados
das listas vermelhas. A lista da fauna vigente, por
exemplo, ainda que tenha sido elaborada com a participação
de duas centenas de especialistas, traz consigo a
situação daqueles grupos cujo conhecimento
disponível permitiu a sua avaliação.
Por isso, a necessidade das listas serem dinâmicas,
de modo a incorporar dados novos, mantendo-se o seu
o caráter científico. Contudo, o pós-lista
ainda exige atenção. O Brasil, como
país signatário da Convenção
sobre Diversidade Biológica, divulgou metas
claras para a redução da perda da biodiversidade,
até 2010. Seria muito importante que as estratégias
decorrentes desse compromisso fossem também
claras, de modo a permitir a sua integração
na agenda de múltiplos atores sociais. O grau
de organização e a capacidade técnica
das entidades conservacionistas e o alto nível
dos pesquisadores brasileiros têm sido cada
vez mais reconhecido pelas instituições
de financiamento internacionais, o que já representa
um tento para o Brasil no esforço da conservação.
Caso não haja essa articulação,
os resultados de listas futuras apenas refletirão
as crescentes perdas sofridas pelos ecossistemas brasileiros.
Por isso, as listas vermelhas acenam somente para
a ponta do iceberg.
Gláucia
Moreira Drummond
Fundação Biodiversitas
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Biodiversitas
e American Bird Conservancy garantem a proteção
do último refúgio de ave em risco crítico
de extinção na Mata Atlântica
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Área
de mata atlântica em Sossego do Arrebol,
refúgio do “entufado -baiano”
- Merulaxis stressemani Créditos:
Rômulo Ribon |
A
Fundação Biodiversitas, em parceria
com a instituição norte-americana American
Bird Conservancy (ABC), adquiriu 392 hectares
nos municípios de Bandeira e Jordânia
de uma área de Mata Atlântica extremamente
ameaçada no nordeste de Minas Gerais.
A área está inserida em um mosaico de
remanescentes de Mata Atlântica fortemente ameaçado
por desmates, corte seletivo de madeira e queimadas.
A região abriga uma quantidade incomum de espécies
de vertebrados ameaçados de extinção
em escala global, nacional e estadual, o que torna
o local de extrema importância para conservação
da biodiversidade.
Pelo menos 17 espécies de aves ameaçadas
de extinção ocorrem na região,
com destaque para a espécie Merulaxis stressemani
(“Entufado-baiano”), considerada “Criticamente
em Perigo”, sendo que a área adquirida
pela Biodiversitas pode ser o último local
onde a espécie persiste.
"Este fragmento de Mata Atlântica é
um baú de biodiversidade, que desapareceria
sem essa proteção. Em uma grande parte
da região não é possível
encontrar mais nada, a não ser pastos e áreas
desmatadas" - afirma o Diretor para Programas
Internacionais da ABC, Paul Salaman. |
A
Fundação Biodiversitas dará prosseguimento
ao Programa de Conservação através
de projetos para promover o envolvimento das comunidades
locais com o objetivo de minimizar os impactos sobre
as áreas naturais. A criação
de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural
(RPPN) na área dará início ao
processo, que inclui o desenvolvimento de projetos
de educação ambiental, ecoturismo e
pesquisa científica, que, a longo prazo, poderá
possibilitar a manutenção e recuperação
da biodiversidade local.
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“Entufado-baiano”
- Merulaxis stressemani - Créditos:
BirdLife International. |
De
acordo com Rômulo Ribon, ornitólogo da
Universidade Federal de Ouro Preto que redescobriu
o Entufado-baiano e coordenou o inventário
da avifauna na região com apoio do Ministério
do Meio Ambiente e da ONG SAVE Brasil, é urgente
a maximização do conhecimento sobre
a espécie. As informações geradas
subsidiarão a implementação de
programas de manejo para sua conservação.
A compra da terra foi possível através
do apoio da Beneficia Foundation, Robert Wilson e
Connie e Jeff Woodman, complementa Gláucia
Drummond, Superintendente Técnica da Fundação
Biodiversitas. |
Libélulas
ameaçadas de extinção são
encontradas no Norte do ES
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Duas
espécies de libélulas ameaçadas
de extinção – Leptagrion acutum
e Leptagrion capixabae – foram encontradas
no norte do Estado do Espírito Santo, uma na
Reserva Biológica de Córrego Grande
e a outra em uma propriedade particular no município
de Ibiraçu. As espécies foram encontradas
pelos pesquisadores Paulo De Marco Júnior e
Karina Schmidt Furieri, da Universidade Federal de
Goiás e de Viçosa, respectivamente,
em conjunto com o Ipema*, Ibama* e IEMA*, e com apoio
financeiro do CNPq*, Capes*, FNMA* e Fundação
Biodiversitas.
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| Foto:
Karina S. Furieri / Projeto Leptagrion |
Leptagrion
acutum é uma espécie endêmica
da Mata Atlântica, do nordeste capixaba, até
então conhecida apenas do município
de Conceição da Barra, litoral norte
do Espírito Santo; o que determinou sua inclusão
na lista oficial da fauna brasileira ameaçada
de extinção publicada pelo Ministério
do Meio Ambiente em 2003. Essa redescoberta reforça
a importância dos trabalhos de distribuição
e história natural de espécies raras
para a obtenção de dados a serem utilizados
em projetos de conservação e manutenção
da Mata Atlântica, como por exemplo, o Projeto
Corredores Ecológicos, em especial o Corredor
Central da Mata Atlântica. Este último
tem um importante papel na conservação
das espécies de Leptagrion por abrigar
a maior diversidade filogenética e de espécies
do gênero.
Após quatro anos de pesquisas, o projeto obteve
informações que, além de servir
de base para a avaliação do grau de
ameaça dessas libélulas, podem indicar
formas mais adequadas para o
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desenvolvimento de um plano de manejo que atinja todas
as espécies do gênero, com grande potencial
de sucesso, como, por exemplo, através do manejo
de bromélias – plantas que servem ao
desenvolvimento das larvas de libélulas do
gênero Leptagrion. Apesar do grande
número de novos registros, ainda existe uma
carência de dados de distribuição
das espécies de Leptagrion, de modo
que os pesquisadores continuarão com suas atividades
na perspectiva de apresentarem informações
úteis não só relativas às
libélulas, mas também à conservação
de ecossistemas singulares que podem ainda ser observados
no norte do estado do Espírito Santo e Sul
da Bahia.
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| Foto:
Karina S. Furieri / Projeto Leptagrion |
Parte
deste projeto foi objeto da tese de Doutorado “Biologia
da Conservação do Gênero Leptagrion
e Uma Proposta para o Manejo de Leptagrion acutun
(Coenagrion: odonata)” defendida pela
pesquisadora Karina Furieri, em 23 de fevereiro deste
ano, na Universidade Federal de Viçosa.
* Ipema: Instituto de Pesquisas da
Mata Atlântica.
* Ibama: Instituto Brasileiro do
Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
* IEMA: Instituto Estadual de Meio
Ambiente – ES
* CNPq: Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico
* Capes: Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior
* FNMA: Fundo Nacional do Meio Ambiente |
Cresce
a ameaça de extinção entre os primatas
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Galogoides
rondoensis (Honess in Kingdon, 1997) –
está entre os 25 primatas mais
ameaçados de extinção
– ocorre na Tanzânia.
Ilustração: Stephen D. Nash |
Um
relatório compilado por 60 especialistas de
21 países – intitulado Primates in
Peril: The World’s 25 Most Endangered Primates—2006–2008
(Primatas em Perigo: Os 25 Primatas mais ameaçados
do mundo – 2006-2008) - , publicado em
outubro de 2007, alerta que se falharmos nas respostas
às crescentes ameaças, veremos as primeiras
extinções de primatas em mais de um
século.
A lista dos 25 primatas mais ameaçados
do mundo (clique
aqui para acessar), compilada no 21º Congresso
da Sociedade Internacional de Primatologia realizado
em Entebe, Uganda, em junho de 2006, segue a mesma
metodologia desde sua primeira edição
em 2000. Oito dos primatas desta lista, incluindo
o orangotango de Sumatra, na Indonésia, e o
gorila de Diehl, encontrado na República dos
Camarões e na Nigéria, já foram
incluídos nas três listas anteriores.
Outras seis espécies foram incluídas
na lista pela primeira vez, incluindo um macaco tarsier
indonésio recém-descoberto que ainda
não foi formalmente registrado.
Acredita-se que uma espécie, o colobo-de-waldron,
habitante da Costa do Marfim e de Gana, já
esteja extinta. Calcula-se que o langur-dourado do
Vietnam e o gibão-de-hainan, na China, têm
populações muito reduzidas, na casa
das dezenas. O lóris-esbelto vermelho, do Sri
Lanka, foi avistado apenas quatro vezes desde 1937.
O objetivo da lista é também chamar
atenção para a situação
crítica de alguns dos primatas mais ameaçados.
Com isso, atrair investimentos e esforços para
promover pesquisas para mitigar as ameaças
por meio de medidas como a fiscalização,
criação de áreas protegidas e
programas de criação em cativeiro.
“Todos os sobreviventes destas 25 espécies
cabem dentro de um estádio de futebol; isso
mostra os quão poucos restam no planeta hoje”,
afirma Russel A. Mittermeier, presidente da CI, que
também é chefe do Grupo de Especialistas
em Primatas da IUCN/SSC. “
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A situação é pior na Ásia,
onde a destruição da floresta tropical,
caça e comércio de macacos coloca muitas
espécies sob grande risco. Até mesmo
as espécies recém-descobertas estão
gravemente ameaçadas pela perda de seu hábitat
e poderão desaparecer logo”.
Brasil – A lista anterior (2004-2006)
era composta por três espécies brasileiras,
todas da Mata Atlântica: mico-leão-da-cara-preta
(Leontopithecus caissara), macaco-prego-do-peito-amarelo
(Cebus
xanthosternos) e muriqui do norte (Brachyteles
hypoxanthus), também conhecido como mono-carvoeiro.
Na relação atual, os primatas brasileiros
ficaram de fora. Na avaliação dos pesquisadores,
embora os animais brasileiros continuem ameaçados,
os esforços conjuntos de instituições
do governo, organizações não-governamentais
e o acúmulo de anos de conhecimento sobre as
espécies e o hábitat onde vivem mitigaram
parte dos problemas que comprometem a sobrevivência
dos animais. Outro fator que tirou da lista atual
os macacos brasileiros foi a piora da situação
de outros primatas em outras partes do mundo.
A perda dos hábitats em razão do desmatamento
de florestas tropicais para a agricultura, exploração
madeireira e coleta de lenha para combustível,
continua a ser o principal fator para a redução
do número de primatas, segundo o relatório.
Além disso, a mudança climática
está alterando os hábitats de muitas
espécies, tornando aquelas que vivem em pequenos
territórios ainda mais vulneráveis à
extinção.
“Protegendo as florestas tropicais que ainda
restam no mundo, salvaremos os primatas e outras espécies
ameaçadas, ao mesmo tempo em que impediremos
que mais dióxido de carbono entre na atmosfera
e aqueça o clima”, observa Mittermeier.
O novo relatório foi apresentado pelo Grupo
de Especialistas em Primatas da Comissão de
Sobrevivência das Espécies (SSC) da União
Mundial para a Natureza (IUCN) e pela Sociedade Internacional
de Primatologia (IPS), em colaboração
com a Conservação Internacional (CI),
29% das espécies de primatas está sob
risco de extinção.
Fonte: www.conservation.org |
Programa
de Espécies Ameaçadas da Mata Atlântica
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Com
quatro editais voltados para fauna e flora lançados
até o momento, o Programa de Proteção
às Espécies Ameaçadas de Extinção
da Mata Atlântica Brasileira financia, desde
2004, pesquisas que forneçam subsídios
para a proteção e o manejo de espécies
da flora e fauna ameaçadas desse bioma. Desenvolvido
com recursos do Fundo de Parceria para Ecossistemas
Críticos (Critical Ecosystem Partnership Fund
– CEPF) e coordenado através da parceria
entre a Fundação Biodiversitas (BH/MG)
e CEPAN (Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste,
Recife, PE), o Programa já contabiliza um total
de 51 projetos aprovados, contemplando 94 espécies
em 13 Estados do país.
Conheça
nesta edição os resultados do projeto
“Distribuição espacial
e uso do microhábitat em Megalobulimus proclivis
(Mollusca, Gastropoda) em uma área de Mata
Atlântica no Rio Grande do Sul, desenvolvido
pela zoóloga Ingrid Heydrich da Fundação
Zoobotânica do Rio Grande do Sul.
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Megalobulimus
proclivis Foto: Cleodir Mansan |
Citado
na categoria “Em Perigo” na Lista das
Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção
no Rio Grande do Sul e na Lista da Fauna Brasileira
Ameaçada de Extinção e na categoria
“Criticamente em Perigo” pela IUCN (2006),
Megalobulimus proclivis (Martens, 1888) (Mollusca,
Gastropoda) é um molusco terrestre pertencente
à família Megalobulimidae. Desde seu
primeiro registro em 1868, até o início
do projeto, os dados relativos à biologia da
espécie eram praticamente inexistentes. Sua
distribuição é associada ao bioma
Mata Atlântica, ocorrendo em floresta com araucárias.
No Rio Grande do Sul, possui registros de ocorrência
para os municípios de Morro Reuter (1868),
Taquara (1888), Rolante (1964), Canela (1974) e São
Francisco de Paula (2001).
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| Local
de estudo. Mata Atlantica, Maquine, RS. Foto:
Cleodir Mansan |
O
desenvolvimento desse projeto possibilitou a ampliação
da distribuição geográfica da
espécie para o município de Maquiné.
Além de pesquisar a distribuição
espacial e uso do microhábitat deste molusco,
o estudo visou também obter informações
sobre a biologia (alimentação, reprodução,
taxa de crescimento) e ecologia de uma população
de M. proclivis em uma área de Mata
Atlântica no sul do Brasil. Estas informações
deverão subsidiar futuras ações
para a conservação deste gastrópode.
A flutuação da população
ao longo do projeto e o levantamento de quais outras
espécies de macrogastrópodes ocupam
o mesmo microhábitat também foi uma
preocupação da pesquisa.
Um importante dado observado é a intensa predação
sofrida pela espécie. Entre os possíveis
predadores desses moluscos na fase adulta podem ser
considerados os mamíferos registrados para
as localidades de sua ocorrência, como o quati
(Nasua nasua), o mão-pelada (Procyon
cancrivorus), o graxaim (Cerdocyon thous),
a irara (Eira barbara) e o tatu-galinha (Dasypus
novemcinctus). Em relação às
aves, são possíveis predadores de jovens
de M. proclivis, o inambu-guaçu (Crypturellus
obsoletus), a jacutinga (Pipile jacutinga),
o uru (Odontophorus capueira) e o macuco
(Tinamus solitarius).
Segundo Ingrid Heydrich, embora a análise dos
dados ainda não esteja concluída, o
status de ameaça da espécie deverá
se manter. Para a pesquisadora o conhecimento obtido
sobre a biologia de M. proclivis ainda é
insuficiente para o estabelecimento de medidas específicas
de conservação da espécie. Porém,
ações que evitam a destruição
ou descaracterização do hábitat
e a expansão de espécies exóticas
vegetais e animais, podem contribuir para sua preservação.
Ingrid informou também que dados adicionais
da biologia da espécie estão sendo registrados,
a partir dos exemplares vivos coletados durante a
execução do projeto e mantidos em laboratório.
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Melhor
Tese em Biologia da Conservação destaca
situação de peixes ameaçados na
bacia do Rio Doce.
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Henochilus
wheatlandii |
O
biólogo Fábio Vieira, um dos coordenadores
do Projeto BiotaMinas pela Fundação
Biodiversitas, recebeu, durante o XXVII Congresso
Brasileiro de Zoologia, entre os dias 17 e 21 de fevereiro
em Curitiba, o Primeiro Lugar do Prêmio Novaes
Ramires de Conservação da Natureza,
de melhor tese de Doutorado em Biologia da Conservação.
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Steindachneridion
doceana |
A
tese, intitulada ”A Ictiofauna do Rio Santo
Antônio, Bacia do Rio Doce, MG, Com Uma Proposta
de Conservação Baseada na Composição
e Distribuição das Espécies de
Peixes” foi apresentada no Curso de Pós-Graduação
em Ecologia, Conservação e Manejo da
Vida Silvestre da Universidade Federal de Minas Gerais,
em agosto de 2006. Dentre as espécies ameaçadas
contempladas no estudo estão o andirá
(Henochilus wheatlandii); o timburé
(Leporinus thayeri); a pirapitinga (Brycon
opalinus); a piabanha (B. develey);
e o surubim-do-doce (Steindachneridion doceana).
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Notícias da UICN Sur
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Nueva publicación de la UICN - “Aplicación
del Enfoque Ecosistémico en Latinoamérica”
• Es una recopilación de experiencias
y estudios de caso, escrita por expertos de la Comisión
de Manejo Ecosistémico de la Unión Mundial
para la Naturaleza (UICN).
• El libro, de 89 páginas y descarga
gratuita en línea, es una herramienta clave
para tomadores de decisión, especialistas y
ONGs.
• Las iniciativas y recomendaciones serán
presentadas en la COP9 del Convenio de Diversidad
Biológica y en el Congreso Mundial de UICN,
Barcelona 2008.
Quito, 15 febrero 2008.- Los gobiernos, empresas y
la sociedad en general, tienden a manejar los ecosistemas
para obtener un bien o servicio (pescado, madera,
energía, etc) sin reconocer plenamente lo que
se está perdiendo mientras aprovechan estos
recursos. Así, es posible que se estén
sacrificando bienes y servicios tanto o más
valiosos que los obtenidos, sin que nadie perciba
esos problemas en el corto plazo - contaminación,
desertificación, pérdida de diversidad
cultural y biológica, entre otros.
El Enfoque Ecosistémico (EE) permite tener
una visión amplia de los “recursos naturales”
con el propósito de hacer que las contraprestaciones
sean eficientes, transparentes y sostenibles en el
tiempo, explicó Ángela Andrade, editora
responsable de la publicación y vicepresidenta
de la Comisión de Manejo Ecosistémico
(CME) de la UICN para Sudamérica.
“Los estudios de caso seleccionados son representativos
de la aplicación del Enfoque Ecosistémico
en diferentes escalas y en variados contextos sociales
y culturales”, consignó Andrade.
“El Enfoque Ecosistémico es una estrategia
proactiva para un manejo integrado de la tierra, el
agua y los recursos vivos, que promueve la conservación
y el uso sostenible de forma equitativa. Pone a la
gente y a sus prácticas de manejo de los recursos
naturales en el centro de la toma de decisiones. Por
eso puede utilizarse para buscar un balance apropiado
entre la conservación y el uso de la diversidad
biológica en áreas en donde hay múltiples
usuarios de los recursos y de los valores naturales
importantes”, aseguró.
En la publicación se incluyen iniciativas que
se desarrollan en Panamá, Ecuador, Colombia,
Paraguay, Chile y Argentina, además de las
conclusiones del taller de especialistas de la CME
realizado en Villa de Leyva, Colombia, en junio de
2007.
Las recomendaciones van dirigidas a los gobiernos,
a la UICN y al Convenio de Diversidad Biológica
(CDB), con el fin de incentivar la investigación
y la difusión de experiencias sobre la aplicación
del EE a nivel global y regional.
Entre las iniciativas de aplicación del Enfoque
Ecosistémico se exponen los casos del Sistema
de Humedales Paraguay-Paraná en la Cuenca del
Plata; del corredor de conservación Chocó-Manabí
entre Colombia y Ecuador; la gestión ecorregional
del Bosque Chiquitano en Bolivia y Paraguay; el Corredor
de Robles, una estrategia integrada de manejo y conservación
de la biodiversidad en Colombia; el Proyecto Páramo
Andino; el complejo de humedales de Fúquene
en los Andes orientales de Colombia; la estrategia
de conectividad en la reserva de biosfera del bosque
Mbaracayú en Paraguay; el EE y la cultura indígena
en la Amazonia colombiana; la gestión de áreas
marinas y costeras protegidas en Chile; el programa
nacional de zonificación agroecológica
de Panamá; y el EE aplicado a la gestión
del agua en una perspectiva desde América Latina.
Las iniciativas y recomendaciones serán presentadas
en mayo en la COP9 del Convenio de Diversidad Biológica
(CDB), donde el Enfoque Ecosistémico es uno
de los temas principales de la agenda, y en el marco
de actividades de la comisión de especialistas
en el IV Congreso Mundial de la Naturaleza de UICN,
a realizarse en Barcelona del 5 al 14 de octubre 2008.
Fuente: Comité Argentino de
la UICN / www.comite-uicn.org.ar
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Programa de Parcerias Corporativas
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O Programa de Parcerias Corporativa, criado
há oito meses pela Fundação
Biodiversitas,tem como objetivo mobilizar
a iniciativa privada em torno das ações
de conservação ambientais, o
que resulta em benefícios amplos para
toda a sociedade. Aderindo ao Programa, empresas
e instituições têm a oportunidade
de exercer sua responsabilidade sócio-ambiental,
participando, através das ações
desenvolvidas pela Biodiversitas, de um esforço
que já vem de longo tempo, para conservar
a biodiversidade brasileira. Dentre as empresas
parceiras do programa, que somam nove ao todo,
temos as seguintes:
AVG
Mineração S/A;
Associação das Indústrias
de Açúcar e Álcool -
AIAA;
Companhia Siderúrgica Nacional - CSN;
Flapa Mineração e Incorporação
Ltda;
Fidens Engenharia;
Mineração J. Mendes;
MMX Minas-Rio Mineração S/A;
Rima Industrial S/A; e U & M Mineração.
Saiba mais, e associe-se:
http://www.biodiversitas.org.br/fb/ppc.asp |
Associe-se à Biodiversitas
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A
luta pela preservação da biodiversidade
brasileira é a missão da Biodiversitas
há mais de quinze anos. Neste período,
atividades de pesquisa, levantamentos biológicos
e divulgações científicas só
foram possíveis através de convênios
e doações de pessoas físicas
e empresas ecologicamente envolvidas.
Tornando-se um sócio-contribuinte da Biodiversitas,
você irá atuar diretamente na preservação
de espécies da fauna e da flora brasileiras
ameaçadas de extinção. Seu
apoio é fundamental para que nosso trabalho
continue gerando resultados positivos na conservação
da biodiversidade do país.
Associando-se à Biodiversitas você
terá acesso a conteúdos exclusivos
no site, notícias sobre os projetos
desenvolvidos pela Fundação e ainda
irá ganhar brindes, participar de promoções
e muito mais. A Biodiversitas oferece ainda uma
carteirinha personalizada que dá direito
a descontos especiais na compra dos produtos da
Ecolojinha.
Acesse nossa página na Internet e comece
a contribuir para a conservação da
biodiversidade brasileira:
www.biodiversitas.org.br/socio/
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