ANO
3 :: Nº 19 :: 31 DE ABRIL DE 2008 |
Prezados Leitores,
Em nome da Coordenação do
projeto de estruturação do BiotaMinas, agradecemos
a todos os pesquisadores e instituições de ensino
e pesquisa que, mais uma vez, contribuíram com as iniciativas
da Fundação Biodiversitas. A consulta à
comunidade científica, com vistas a subsidiar os diagnósticos
temáticos que serão levados a Secretaria Estadual
de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais, com a indicação
das lacunas de conhecimento e prioridades de pesquisa e investimentos
para a conservação da biodiversidade do Estado,
foi encerrada com a participação de mais de
400 pesquisadores. Este aspecto, amplamente participativo,
representa um diferencial com relação a programas
semelhantes implementados em outros estados brasileiros e
faz com que as chances dos recursos serem melhores aproveitados
sejam preeminentes. Informamos que dentro de poucos meses
a totalidade dos resultados colhidos poderá ser conhecida
através de uma publicação que reunirá
todo o esforço do mapeamento de prioridades realizado.
A comemoração, contudo, só poderá
ser completa quando o Programa for implementado, o que esperamos
que se dê em breve. Parabéns aos nossos cientistas
pelo compromisso com o desenvolvimento da ciência e
com a conservação da biota do Estado!
Gláucia Moreira Drummond
Superintendente Técnica
Fundação Biodiversitas
Espaço
do Pesquisador
 |
 |
Extinções
e Ilhas
Em
10 de agosto de 1503 a esquadra capitaneada por
Gonçalo Coelho navegando de Serra Leoa em
direção ao Brasil encontrou uma ilha
“...de grande altura, no meio do mar, verdadeira
maravilha da Natureza” . Gonçalo Coelho
ordenou ao capitão de um dos navios que ficasse
na ilha e procurasse bons portos. Por 8 dias, o
florentino Américo Vespúcio ficou
ancorado na ilha, conhecida hoje como Fernando de
Noronha, e aproveitou para explorar suas belezas
e narrá-las em algumas de suas várias
cartas. Descreveu a ilha como “...cheia de
aves marinhas e terrestres, inumeráveis e
tão familiares que se deixam apanhar na mão”1.
Dentre as diversas caracterizações
que Vespúcio fez da fauna e da flora de Fernando
de Noronha, chama a atenção de que
além das aves “...não vimos
nenhum outro animal exceto ratos bem grandes
(topi molto grandi), lagartos
com duas caudas e algumas serpentes”1. O roedor
indicado por Vespúcio em Fernando de Noronha
não poderia ser o rato deméstico (Rattus
rattus) pois não teria havido tempo
suficiente para a chegada e colonização
desse animal introduzido pelos europeus, já
que a esquadra de Gonçalo Coelho foi uma
das primeiras a chegar ao Arquipélago. É,
na verdade, um roedor sigmodontineo endêmico
da ilha, filogeneticamente relacionado com Holochilus
e Lundomys e que foi extinto como outras espécies
de ilhas oceânicas colonizadas em tempos recentes.
A causa proximal da extinção do roedor
de Fernando de Noronha, descrito como Noronhomys
vespuccii, foi provavelmente a introdução
da espécie exótica Rattus rattus,
que chegou à ilha no século XVI junto
com as embarcações européias.
Adicionalmente, destruição do hábitat,
introdução de predadores e caça,
contribuíram para o desaparecimento da espécie
na ilha. Em Fernando de Noronha, atualmente outras
cinco espécies de aves estão ameaçadas
de extinção, e outras ilhas no litoral
Brasileiro, como no Arquipélago de Alcatrazes
e na Ilha de Queimada Grande, outras espécies
endêmicas de répteis e anfíbios
estão sob risco de desaparecer. O alto nível
de endemismo e um elevado grau de especialização,
aliados à evolução sem contato
com perturbações de origem antrópica,
são as explicações para as
extinções recorrentes em Ilhas oceânicas.
O destino de Noronhomys vespuccii é
emblemático por algumas razões. Se
essa espécie estiver mesmo extinta, é
o único registro conhecido de extinção
de um mamífero brasileiro, e a única
pessoa que escreveu sobre essa espécie ainda
viva foi Vespúcio. Além disso, é
também uma amostra da primeira onda de extinções
em tempos recentes provocadas por ações
humanas e que atingiu inicialmente ilhas oceânicas.
Porém esse padrão está se modificando.
A IUCN aponta que nos últimos 20 anos a taxa
de extinção de espécies continentais
se igualou à das espécies insulares.
De acordo com a IUCN, em tempos recentes cerca de
770 espécies de animais foram extintas, sendo
27 nos últimos 20 anos. Entender o processo
vigente de extinção e de vulnerabilidade,
seja em ilhas oceânicas ou no continente,
é fundamental para evitar maior erosão
da diversidade biológica do país.
Trechos extraídos das cartas atribuídas
a Américo Vespúcio e compiladas em
Lettera di Amerigo Vespucci delle Isole
Nuovamente in Quattro Suoi Viaggi,
publicadas em Florença em setembro de 1504.
Grifos e traduções feitas pelo autor.
 |
Adriano Páglia - Biólogo - Analista
de Biodiversidade da ONG Conservação
Internacional - CI
Utilize este espaço: envie seu artigo para
comunicação@biodiversitas.org.br
Pesquisa
 |
 |
Pesquisadores do Jardim Botânico encontraram
pau-brasil em floresta no ES
 |
| Fragmento
de Mata Atlântica no município
de Aracruz - ES, onde foi encontrada
uma das populações de
pau-brasil.
|
Estudo
realizado sobre o pau-brasil (Caesalpinia
echinata Lam.) registra sua ocorrência
em áreas de Mata Atlântica
do Estado do Espírito Santo. Pesquisadores
do Jardim Botânico do Rio de Janeiro
(JBRJ) localizaram duas populações
nativas da espécie que é classificada
em situação de perigo crítico
de extinção em recente lista
publicada sobre plantas no estado capixaba.
Desde o último registro botânico
em áreas naturais, ocorrido em 1980,
o pau-brasil não era relatado em
inventários realizados em florestas
do Espírito Santo.
O pesquisador Haroldo C. de Lima e o biólogo
Robson D. Ribeiro, que participaram dos
estudos de campo para localizar o pau-brasil
em áreas de mata atlântica
no estado do Espírito Santo, encontraram
populações nativas pequenas
mas em razoável estado de conservação
em fragmentos florestais no município
de Aracruz. As pesquisas preliminares para
avaliar a situação atual do
pau-brasil no Espírito Santo estão
sendo desenvolvidas pela Gerência
de Recursos Naturais do Instituto Estadual
do Meio Ambiente - IEMA/ES e pelo Departamento
de Botânica da Universidade Federal
do Espírito Santo, com apoio do Programa
Mata Atlântica – JBRJ.
Fonte: http://www.jbrj.gov.br/index.html
|
|
Programa
de Espécies Ameaçadas
 |
 |
Com
quatro editais voltados para fauna e flora
lançados até o momento, o Programa
de Proteção às Espécies
Ameaçadas de Extinção
da Mata Atlântica Brasileira financia,
desde 2004, pesquisas que forneçam
subsídios para a proteção
e o manejo de espécies da flora e fauna
ameaçadas desse bioma. Desenvolvido
com recursos do Fundo de Parceria para Ecossistemas
Críticos (Critical Ecosystem Partnership
Fund – CEPF) e coordenado através
da parceria entre a Fundação
Biodiversitas e CEPAN (Centro de Pesquisas
Ambientais do Nordeste), o Programa já
contabiliza um total de 51 projetos aprovados,
contemplando 94 espécies em 13 Estados
do país.
Conheça nesta edição
os resultados do projeto:
Distribuição
geográfica e hábitat de Pyriglena
atra (Swainson, 1825; Aves:Thamnophilidae),
cenário de oportunidades e de ações
prioritárias para manejo e conservação.
Partindo
de uma base de dados que reúne mapas
cartográficos do IBGE, Mapa de Vegetação
e Uso do Plano Estadual de Recursos Hídricos
do Estado da Bahia, Mapa de Vegetação
do Estado da Bahia (DDF) e análise
das imagens de satélite, o projeto
Distribuição geográfica
e hábitat de Pyriglena atra
(Swainson, 1825; Aves:Thamnophilidae), cenário
de oportunidades e de ações
prioritárias para manejo e conservação
identificou 54 novos pontos de ocorrência
para a espécie em questão (veja
mapa ao lado).
|
|
A
presença de P. atra foi detectada
em 21 dos 25 remanescentes classificados como grandes
áreas florestais de acordo com os critérios
da pesquisa. Em 33 outros remanescentes de menor tamanho,
a espécie foi também registrada. Os
pontos de ocorrência de P. atra compreendem
a faixa territorial entre os rios Paraguaçu
e São Francisco, nos Estado da Bahia e Sergipe.
 |
Foto
do macho de Pyriglena atra espécie
ameaçada de extinção
Foto: Sidnei Sampaio dos Santos
|
O
ponto mais ao sul da distribuição de
P. atra, localiza-se em Araripe de Baixo,
município de Saubara, próximo ao rio
Paraguaçu no estado da Bahia. O fragmento de
“Boa Vista do Opalma”, em Cachoeira, representa
o limite de distribuição mais oeste,
ainda na Bahia. O ponto mais ao leste e mais próximo
da linha do mar no estado baiano é a “Reserva
do Bú” e em Sergipe as “Matas de
Crasto”. Já o limite norte, próximo
ao rio São Francisco, no Estado de Sergipe,
são as matas de “Areia Branca”.
Ameaças
Segundo o estudo, as maiores ameaças para P.
atra identificadas até o momento são:
perda de hábitat, fragmentação,
projetos de assentamentos, falta de interesse por
parte dos proprietários em manter áreas
remanescentes, multiplicidade de propriedades nos
grandes blocos florestais e dos interesses futuros
de uso da área. Por outro lado, dentre as potenciais
oportunidades de conservação para a
espécie destacam-se os interesses de criação
de RPPN, a possibilidade de criação
de um plano piloto de Manejo e Conservação
em áreas florestais da Copener Florestal Ltda
- uma das principais áreas de mata atlântica
no norte do Estado baiano e as novas parcerias firmadas
pela Associação Baiana para Conservação
dos Recursos Naturais (ABCRN), principalmente na área
da biologia reprodutiva da espécie, o que é
de extrema importância para sua conservação. |
Políticas
Públicas
 |
 |
|
Governo amplia novamente prazo para consulta da Lei
de Biodiversidade
A
ministra-chefe da Casa Civil da Presidência
da República, Dilma Rousseff, ampliou para
o dia 13 de julho o prazo final para a consulta pública
do anteprojeto de Lei de Biodiversidade. O novo prazo
foi publicado no Diário Oficial da União
no dia 15 de abril passado.
O anteprojeto, que está sob consulta pública,
dispõe sobre a coleta de material biológico;
acesso aos recursos genéticos e seus derivados
para pesquisa científica ou tecnológica;
bioprospecção, elaboração
ou desenvolvimento de produtos comerciais; remessa
e transporte de material biológico;
acesso e proteção aos conhecimentos
tradicionais associados e aos direitos dos agricultores,
e a repartição de benefícios.
Essa é a segunda vez que o governo amplia o
prazo para a proposta da Lei da Biodiversidade, que
tem recebido diversas críticas da comunidade
científica. O último prazo estabelecido
pelo governo terminou no dia 13 de abril.
As sugestões e as críticas à
proposta devem ser remetidas à Casa Civil da
Presidência da República, no seguinte
endereço: Palácio do Planalto, 4o andar,
sala 3, Brasília-DF, CEP 70.150-900, com a
indicação “Sugestões ao
projeto de lei que dispõe sobre o acesso aos
recursos genéticos e seus derivados”,ou
pelo e-mail recursosgeneticos@planalto.gov.br.
|
Notícias da UICN Sur
 |
|
UICN-Sur lanza iniciativa
para el uso sostenible
de los peces en la Cuenca del Plata
 |
Sitio
Ramsar Jaaukanigás, con una alta
biodiversidad.
Foto: F. González Brizzio / Fundación
Proteger
|
La
oficina sudamericana de la Unión Internacional
para la Conservación de la Naturaleza,
en conjunto con las organizaciones miembro Fundación
Proteger (Argentina) y Guyrá (Paraguay),
lanzaron una iniciativa para el uso sostenible
de los peces en la Cuenca del Plata, con el fin
de diagramar acciones tendientes a la protección
de estas especies en la región.
Arturo Mora, Oficial de Programa de Especies y
Lista Roja de UICN-Sur, resaltó que "hay
mucho interés en diversas organizaciones
en la Cuenca del Plata, una de las más
grandes del mundo y con una alta diversidad de
peces y, al mismo tiempo, por ver qué pasa
con la gente y cómo esas especies pueden
también apoyar procesos para reducir o
evitar la pobreza".
La UICN-Sur advierte que "la biodiversidad
de agua dulce en la Cuenca del Plata se encuentra
presionada debido a cuestiones tales como la sobreexplotación
de los recursos pesqueros, la fragmentación
de ecosistemas naturales ribereños y la
agricultura intensiva que produce contaminación,
entre otros factores que atentan no solamente
contra las poblaciones de peces existentes, sino
contra las comunidades locales que se alimentan
de o comercializan estas especies".
El proyecto pretende "validar información
y ver cuál es la que se puede sustentar
para la Argentina y Paraguay, siempre pensando
en aplicarla para mejorar los medios de vida de
las poblaciones locales", especificó
Mora.
"A nivel mundial, añadió, tenemos
un proyecto enorme sobre biodiversidad de agua
dulce, que abarca desde plantas hasta peces e
invertebrados. Ahora contamos con algunos recursos
para empezar algo en relación con los peces
de agua dulce y ver cómo la desaparición
de algunas especies podría afectar -o ya
lo está haciendo, a las comunidades ribereñas".
Mayor información: arturo.mora@sur.iucn.org
/ www.iucn.org/sur
Associe-se à Biodiversitas
 |
 |
A luta pela preservação da biodiversidade
brasileira é a missão da Biodiversitas
há mais de quinze anos. Neste período,
atividades de pesquisa, levantamentos biológicos
e divulgações científicas
só foram possíveis através
de convênios e doações
de pessoas físicas e empresas ecologicamente
envolvidas.
Tornando-se um sócio-contribuinte da
Biodiversitas, você irá atuar
diretamente na preservação de
espécies da fauna e da flora brasileiras
ameaçadas de extinção.
Seu apoio é fundamental para que nosso
trabalho continue gerando resultados positivos
na conservação da biodiversidade
do país.
Associando-se à Biodiversitas você
terá acesso a conteúdos exclusivos
no site, notícias sobre os
projetos desenvolvidos pela Fundação
e ainda irá ganhar brindes, participar
de promoções e muito mais. A
Biodiversitas oferece ainda uma carteirinha
personalizada que dá direito a descontos
especiais na compra dos produtos da Ecolojinha.
Acesse nossa página na Internet e comece
a contribuir para a conservação
da biodiversidade brasileira:
www.biodiversitas.org.br/socio/
|
|
Programa de Parcerias Corporativas
 |
|
O Programa de Parcerias Corporativa, criado
em Maio de 2007 pela Fundação
Biodiversitas,tem como objetivo mobilizar a
iniciativa privada em torno das ações
de conservação ambientais, o que
resulta em benefícios amplos para toda
a sociedade. Aderindo ao Programa, empresas
e instituições têm a oportunidade
de exercer sua responsabilidade sócio-ambiental,
participando, através das ações
desenvolvidas pela Biodiversitas, de um esforço
que já vem de longo tempo, para conservar
a biodiversidade brasileira. Dentre as empresas
parceiras do programa, que somam nove ao todo,
temos as seguintes:
AVG Mineração S/A;
Associação das Indústrias
de Açúcar e Álcool - AIAA;
Companhia Siderúrgica Nacional - CSN;
Flapa Mineração e Incorporação
Ltda;
Fidens Engenharia;
Mineração J. Mendes;
MMX Minas-Rio Mineração S/A;
Rima Industrial S/A; Vale e U & M Mineração.
Saiba mais, e associe-se: http://www.biodiversitas.org.br/fb/ppc.asp
|
Espaço reservado à
divulgação do apoio das empresas parceiras
do Programa de Parcerias Corporativas da Fundação
Biodiversitas na Categoria "Especial Biodiversitas".
|
Fale
com a gente
:: Envie
uma notícia :: Cancele
o recebimento deste informativo
www.biodiversitas.org.br
:: comunicacao@biodiversitas.org.br
|