ANO 1 :: Nº 7 :: 30 DE NOVEMBRO DE 2006

Nesse Boletim encerramos a série de análises dos resultados da “Revisão da Lista da Flora Brasileira Ameaçada de Extinção”. O processo de revisão, iniciado através de um contrato entre a Biodiversitas e o IBAMA, foi brindado ainda com a parceria do Ministério do Meio Ambiente, Sociedade de Botânica do Brasil, Rede Brasileira de Jardins Botânicos e Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Foram avaliadas mais de 5.000 espécies de plantas durante o desenvolvimento do projeto, fato inédito no Brasil no que diz respeito à elaboração de listas vermelhas da flora. Para as espécies consideradas ameaçadas, segundo avaliação dos especialistas, um banco de dados contendo os critérios de ameaça que balizaram as avaliações, estados e biomas onde ocorrem, além de recomendações para sua conservação, sistematizou as informações colhidas no processo. Assim, é também a primeira vez que o Brasil tem a possibilidade de disponibilizar uma ferramenta de amplo acesso sobre a sua flora ameaçada, colocando-o em pé de igualdade com os países do primeiro mundo. A lista da flora vigente foi elaborada em 1992 por um grupo restrito de pesquisadores, refletindo o conhecimento daqueles que, à época, tiveram acesso à elaboração do documento. Graças às facilidades atuais das tecnologias de comunicação e processamento eletrônico de dados, e um maior interesse e preocupação dos estudiosos diante das visíveis ameaças às espécies em seus hábitats, 290 especialistas nas famílias botânicas brasileiras participaram efetivamente do processo. Especialistas esses de reconhecida competência e experiência, que há muito vêm dedicando seus estudos e incansáveis esforços para o conhecimento da flora brasileira. São a todos esses que a Biodiversitas remete o mérito da qualidade dos resultados do trabalho encaminhado ao Ministério do Meio Ambiente e IBAMA, em dezembro de 2005. Desta forma, por não haver dúvidas sobre a transparência e os apontamentos feitos na nova lista, esperamos chegar no Boletim de dezembro trazendo como presente de natal aos parceiros e apoiadores da Fundação, a notícia da homologação do documento na sua íntegra. Assim, acredito que teremos um sem número de especialistas e instituições que incluirão em suas agendas, metas e sonhos de 2007, o início de muitos trabalhos em prol da recuperação e proteção das 1537 espécies da flora ameaçada no Brasil!

Gláucia Moreira Drummond
Superintendente Técnica
Fundação Biodiversitas

O que você precisa saber

Biodiversidade - De acordo com o Artigo 2 da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), biodiversidade refere-se variedade de vida no planeta terra, incluindo a variedade genética dentro das populações e espécies, a variedade de espécies da flora, da fauna e de microrganismos, a variedade de funções ecológicas desempenhadas pelos organismos nos ecossistemas, os processos ecológicos; e a variedade de comunidades, hábitats e ecossistemas formados pelos organismos. Também, refere-se tanto ao número (riqueza) de diferentes categorias biológicas quanto à abundância relativa (equitabilidade) dessas categorias; e inclui variabilidade ao nível local (alfa diversidade), complementaridade biológica entre hábitats (beta diversidade) e variabilidade entre paisagens (gama diversidade). A biodiversidade inclui, assim, a totalidade dos recursos vivos, ou biológicos, e dos recursos genéticos, e seus componentes. Além disso, a CDB se sustenta sobre três grandes pilares: a conservação, o uso sustentável e a repartição dos recursos da biodiversidade (MMA, 1998, 2000). As funções ecológicas desempenhadas pela biodiversidade são responsáveis pelos processos naturais e produtos fornecidos pelos ecossistemas e espécies que sustentam outras formas de vida e modificam a biosfera, tornando-a apropriada e segura para a vida. A diversidade biológica possui, além de seu valor intrínseco, valor ecológico, genético, social, econômico, científico, educacional, cultural, recreativo e estético. Com tamanha importância, é preciso evitar a perda da biodiversidade (MMA, 2006).

Biota Minas tem início previsto para o primeiro semestre de 2007

A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais (SECTES/MG), em parceria com a Fundação Biodiversitas e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), irá realizar no primeiro semestre de 2007 a primeira reunião de trabalho do projeto “Diagnóstico do Conhecimento da Biodiversidade no Estado de Minas Gerais: conservação, uso e biotecnologia - Subsídio para o Biota Minas”. Parte do processo de elaboração e desenvolvimento do projeto, o evento irá contar com 50 especialitas em distintas áreas temáticas, além de palestrantes convidados e representantes da SECTES/MG e da FAPEMIG.

O projeto tem como objetivo primordial realizar um diagnóstico do estado da arte do conhecimento atual sobre a biodiversidade em Minas Gerais, além de mapear o conhecimento existente nas áreas temáticas vinculadas à conservação e uso da biodiversidade, identificar as lacunas no conhecimento, as demandas prioritárias para as distintas áreas e estruturar uma base de dados para subsidiar a implantação do Biota Minas. “A biodiversidade é uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pela estabilidade dos ecossistemas e fonte de imenso potencial de uso econômico. O Brasil e, particularmente, o Estado de Minas Gerais, são ambos ricos em biodiversidade e é de fundamental importância o fortalecimento de grupos de pesquisa, o direcionamento das linhas de pesquisas e a canalização de recursos financeiros para áreas temáticas chave da biodiversidade”, explica um dos coordenadores do projeto, o biólogo André Hirsch.

O projeto está sendo desenvolvido em quatro etapas, sendo que as duas primeiras já foram realizadas (seleção das áreas temáticas e dos especialistas que direcionarão os dados a serem compilados). A terceira fase, que terá início em 2007, será dedicada à identificação das lacunas e demandas do conhecimento, com uma ampla consulta à comunidade científica, instituições de ensino e pesquisa e gestores ambientais do Estado. Na etapa final, será organizada a base de dados obtidos por meio de aplicação e análise estatística de questionários estruturados pela Fundação Biodiversitas. Todas as informações compiladas neste projeto serão utilizadas pela SECTES/MG e FAPEMIG para a criação do Programa Biota Minas.

As grandes Áreas Temáticas abordadas durante o projeto serão: Diversidade de Vertebrados; Diversidade de Invertebrados Terrestres; Diversidade de Organismos Aquáticos; Diversidade Botânica; Diversidade Microbiana; Diversidade Genética; Rede de Unidades Prioritárias para a Conservação; Manejo e Reprodução de Espécies Silvestres; Recuperação de Áreas Degradadas; Biotecnologia; e Geoprocessamento. A base de dados sobre espécies ameaçadas de Minas Gerais, gerada a partir da revisão das listas vermelhas da flora e fauna, em setembro último, a pedido do IEF/SEMAD, será de extrema importância no direcionamento de pesquisas que devem ser investidas para reverter o quadro de ameaça no Estado. "Dessa forma, o projeto em curso já começa integrando as políticas estaduais de pesquisa, conservação e desenvolvimento econômico, o que representa um marco na plataforma política do Estado", conclui Magda Barcelos Greco, coordenadora do projeto pela SECTES/MG.



As pteridófitas na Lista de Espécies da Flora Brasileira Ameaçada de Extinção

Doryopteris paradoxa
Foto: Alexandre Salino
Encerrando a série de análises sobre a Lista da Flora Brasileira, ainda não oficializada no país, conforme resultados do workshop realizado em junho/2005, a Biodiversitas apresenta nesta edição a análise do do Dr. Alexandre Salino, do Departamento de Botânica da Universidade Federal de Minas Gerais, para o grupo pteridófitas:

A elaboração da lista das espécies de pteridófitas da flora brasileira ameaçadas de extinção contou com a participação de especialistas de todo o país e seguiu os mesmos critérios de inclusão usados para os demais grupos de plantas – briófitas, Gimnospermas e Angiospermas. Inicialmente foi elaborada uma listagem de espécies candidatas à lista de ameaçadas e esta lista foi analisada por especialistas reunidos em

workshop (junho/2005) para síntese e referendo das espécies incluídas.

Na avaliação, foram consideradas todas as espécies ameaçadas das listas estaduais, especialmente aquelas endêmicas estaduais e, para todas as espécies avaliadas, as características ecológicas das pteridófitas tidas como determinantes para avaliação foram: dispersão por esporos à longa distância, hábito do esporófito (tamanho, forma de vida e sazonalidade), critério de endemismo e populações disjuntas e ambiente específico de ocorrência (p. ex. campos rupestres e campos de altitude).

O grupo de especialistas em pteridófitas indicou um total de 238 espécies para avaliação, das quais duas foram consideradas Extintas (EX); 79 como ameaçadas em uma das categorias reconhecidas pela IUCN; 59 como Não Ameaçadas (LC) e 98 como Deficientes em Dados (DD).

As espécies consideradas extintas foram: Asplenium beckeri Brade (Aspleniaceae), que ocorria apenas na Ilha de Trindade, e Isoetes bradei Herter, que ocorria apenas às margens do rio Mooca, na cidade de São Paulo. Das 79 espécies de pteridófitas que constam na lista de ameaçadas no Brasil, 33 delas foram classificadas na categoria Criticamente em Perigo (CR), 33 como Em Perigo (EN) e 13 na categoria Vulnerável (VU). Nota-se que mais de 80% das espécies foram avaliadas com os critérios de ameaça mais altos. As 79 espécies ameaçadas correspondem a 6% do total de espécies de pteridófitas ocorrentes no Brasil. As espécies estão distribuídas em 18 famílias e 32 gêneros. As famílias com maior número de espécies ameaçadas foram Pteridaceae, com 23, Lycopodiaceae com 11, Hymenophyllaceae com sete, Grammitidaceae com seis, Aspleniaceae e Isoetaceae com cinco espécies cada, Polypodiaceae e Schizaeaceae com quatro espécies cada e Blechnaceae com três espécies. Os gêneros com maior número de espécies ameaçadas foram Doryopteris e Huperzia, com oito espécies cada, Asplenium, Isoetes e Eriosorus, com cinco espécies cada, Hymenophyllum e Anemia com quatro espécies cada e Blechnum, Ceradenia, Trichomanes e Pecluma, com três espécies cada. Aproximadamente 50% das espécies ocorrem nas formações florestais da Mata Atlântica, 20% nos campos de altitude do bioma Mata Atlântica, 20% nos campos rupestres e 10% em áreas dos biomas Cerrado, Caatinga e Floresta Amazônica.

Notícias da UICN Sur


Conforme anunciado na edição de outubro do boletim Espécies Ameaçadas Online, a partir deste mês, em todas as edições desse informativo, será publicada a coluna “Notícias da UICN Sur”, com matérias enviadas pelo escritório regional da América do Sul, em Quito, Equador. Nessa matéria de estréia, o tema é o mero (Epinephelus itajara), peixe classificado como Criticamente em Perigo segundo a lista mundial (IUCN,
2006) e, na lista brasileira, relacionado entre as espécies Sobreexplotadas ou Ameaçadas de Sobreexplotação. Vale destacar que um dos projetos dedicados à espécie no país, “Conhecimento Ecológico Local: Convergindo esforços na Conservação do Mero – O Senhor das Pedras", realizado pela Associação de Estudos Costeiros e Marinhos dos Abrolhos – ECOMAR, recebe o apoio da Fundação Biodiversitas e do CEPAN (Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste) através do Programa de Proteção às Espécies Ameaçadas da Mata Atlântica Brasileira (PEA).

Investigación y conservación de Meros en Brasil
Grupo de Especialistas en Meros y Lábridos (GWSG) de la UICN

En Brasil, como en la mayor parte del mundo, los grandes meros se encuentran bajo amenaza, con poblaciones decrecientes como resultado de la presión pesquera y la degradación del hábitat. Aunque en la actualidad su captura no está dirigida particularmente por ninguna pesquería, durante sus agregaciones es evidente un incremento significante de ésta (Teixeira et al., 2004).

Preocupados por el estado de conservación de meros y pargos, un grupo de científicos lideró la creación de una red para el estudio y conservación de estas especies en Brasil (I Conferencia de Biología Marina, Río de Janeiro, 2006). Además, varios proyectos en los que trabajan los miembros de la Red de Meros y Pargos y del Grupo de Especialistas en Meros y Lábridos de la UICN, están desarrollándose y se desarrollarán próximamente en este país. Algunos de ellos son: 1. Proyecto Meros de Brasil; 2. Meros - una estrategia para la conservación de los ecosistemas costeros y marinos en Brasil; 3. Agregaciones reproductivas de peces de arrecife en Brasil y 4. Monitoreo Voluntario de Peces (MOPE).

Para conocer más detalles, sobre el trabajo del grupo de especialistas de la UICN, visite su página web en:
(http://www.hku.hk/ecology/GroupersWrasses/iucnsg/index.html).

Fuente: Boletín de Especies Amenazadas de la UICN - América del Sur, disponible en:
http://www.sur.iucn.org/listaroja/boletin/boletin11/index.htm


III Reunião do Comitê Internacional para Conservação e Manejo da Arara-azul-de-Lear cria sub-comitê para dar apoio técnico a projetos

Estação Biológica Canudos, BA
Foto: Eduardo Figueiredo
O IBAMA/CEMAVE realizou, nos dias 08 e 09 de novembro, em São Paulo, a reunião anual do Comitê Internacional para Conservação e Manejo da Arara-azul-de-Lear. Deste encontro, participaram técnicos do IBAMA e CEMAVE, além de representantes de das organizações envolvidas com a conservação in-situ e ex-situ da espécie. Na pauta, foram apresentadas as atividades desenvolvidas, as ações da Coordenação de Cativeiro (2005/2006) e contra o tráfico, a proposta de monitoramento da estação reprodutiva de 2006/2007 e o Programa de Conservação na Estação Biológica de Canudos (BA), entre outros temas.
Criada em 1993 pela Fundação Biodiversitas, especificamente para conservar a Anodorhynchus leari, a Estação Biológica de Canudos (EBC) tem uma área de 130 hectares, composta por um conjunto de cânions que abrigam um grupo de aproximadamente 650 indivíduos da espécie. Considerada Criticamente em Perigo, de acordo com as Listas Vermelhas mundial (IUCN, 2006) e brasileira (MMA, 2003), a Arara-azul-de-Lear é uma das espécies mais ameaçadas do planeta. Desde o final da década de 1980 diversos esforços para a realização de pesquisas visando o entendimento da biologia da A. leari têm sido empreendidos, entre eles a criação do Comitê Internacional para Conservação e Manejo da Arara-azul-de-Lear. Criado pela Portaria IBAMA 435, de 27/5/03, e composto de acordo com a portaria IBAMA 12, de 18/03/2005, o Comitê tem como principais atribuições o estabelecimento de estratégias para estudo, manejo e conservação da espécie; a proposição ao IBAMA de planos de ação para conservação da Arara; e a implementação e acompanhamento das atividades previstas no Plano de Ação.

A fim de promover um maior conhecimento sobre a população e ecologia da Arara, a Biodiversitas solicitou ao Comitê, com apoio dos demais membros, a criação de um sub-comitê científico para o fornecimento de suporte técnico a todos os projetos desenvolvidos. Esse sub-comitê conta com a participação do Coordenador do Programa de Conservação da Arara-azul-de-Lear na Estação Biológica de Canudos, Eduardo Figueiredo (Biodiversitas), Luís Fábio Silveira (USP), Don Brightsmith (Texas A&M University) e João Nascimento (CEMAVE). “O sub-comitê tem como objetivo fornecer apoio metodológico aos projetos apresentados ao Comitê, através de análises e sugestões. Aproveitando a elevada qualificação do corpo técnico envolvido, este processo visa atribuir uma maior consistência às metodologias utilizadas nos estudos e manejo desenvolvidos com a espécie ”, explica o biólogo Eduardo Figueiredo.

www.ibama.gov.br/cemave / www.biodiversitas.org.br


Programa de Proteção às Espécies Ameaçadas da Mata Atlântica Brasileira

Com quatro editais voltados para fauna e flora lançados até o momento, o Programa de Proteção às Espécies Ameaçadas de Extinção da Mata Atlântica Brasileira financia, desde 2004, pesquisas que forneçam subsídios para a proteção e o manejo de espécies da flora e fauna ameaçadas desse bioma. Desenvolvido com recursos do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (Critical Ecosystem Partnership Fund – CEPF) e coordenado em parceria pela Fundação Biodiversitas (BH/MG) e CEPAN (Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste), o Programa já contabiliza um total de 51 projetos aprovados, contemplando 94 espécies em 13 estados do país.

Conheça nesta edição os resultados do projeto “Programa para conservação do Mico-Leão-da-Cara-Preta (Leontopithecus caissara): estudos preliminares da população continental para futuras translocações”:

Aprovado no Edital 01/2004 e com previsão de encerramento para maio de 2007, o projeto tem como objetivos investigar a capacidade suporte do continente através do estudo da área de uso de dois grupos de Leontopithecus caissara e identificar as principais ameaças à espécie, seu hábitat em sua área de ocorrência continental, além de selecionar as áreas mais indicadas para futuras ações de manejo.

Nesses 27 meses de trabalho, a equipe técnica coordenada por Cláudio Valladares Pádua, Alexandre Túlio A. Nascimento e Lúcia Agathe J. Schmidlin, integrantes do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), vem coletando dados sobre uso do espaço, tamanho da área de uso e média
Leontopithecus caissaraa
Foto: Marcos Amend
de percurso diário dos indivíduos. Com as informações levantadas, uma das conclusões da equipe foi que a distribuição da espécie mantêm-se a mesma desde um levantamento realizado pelo IPÊ em 2000. “A distribuição de L. caissara ocorre em três grandes polígonos de hábitat na planície costeira do sul do Estado de São Paulo e norte do Estado do Paraná: Ilha do Superagüi e planície do rio dos Patos, no município de Guaraqueçaba, no Paraná, e na planície do Ariri, no município de Cananéia, em Sãso Paulo”, explica Lúcia Agathe. Os pesquisadores aplicaram, ainda, questionários semi-estruturados em oito comunidades localizadas nos limites de distribuição da espécie, identificando, desta forma, o perfil sócio-econômico dessas comunidades e as principais ameaças à espécie e a seu hábitat. O resultado da pesquisa apontou como ameaças a exploração de palmito e caixeta, a caça, o turismo não planejado e a especulação imobiliária.

A equipe do IPÊ destaca que o conhecimento das ameaças à espécie e seu hábitat darão subsídios para a continuidade do projeto, assim como informações sobre a capacidade suporte, ou seja, sobre o valor estimado de animais que o hábitat pode suportar, guiando ainda futuras translocações com o objetivo de elevar o tamanho da população de L. caissara. Além disso, o conhecimento sobre ecologia e biologia da espécie servirá de suporte para ações de Educação Ambiental.

De acordo com os relatórios parciais do projeto, as principais ações recomendadas para a conservação da espécie abrangem a elaboração e implementação de um planejamento da paisagem que assegure a viabilidade do hábitat em longo prazo e que também garanta a viabilidade das comunidades humanas, existentes dentro da Unidade da Paisagem da espécie, assegurando-lhes condições de se manterem de modo mais próximo possível com seus hábitos tradicionais. “Toda e qualquer ação que apóie as comunidades humanas na região de ocorrência da espécie, gerando alternativas de renda, conscientização sócio-ambiental e manutenção de tradições e cultura, refletem na espécie L. caissara, visto que reduzem a pressão das pessoas sobre os recursos naturais da região”, afirma Lúcia. O projeto recomenda, ainda, o início de um amplo e integrado programa de Educação Ambiental e Extensão Comunitária na região, além do manejo da espécie em cenário de metapopulação. Estas recomendações coincidem com as metas a serem implementadas pelo plano de ações para a conservação da espécie elaborado em 2005 pelo IPÊ e estão sendo refinadas com base nos resultados deste projeto financiado pelo PEA, tendo um prazo previsto de 10 anos.

A equipe celebra os resultados obtidos até o momento. “Pela primeira vez, os dados de L. caissara integraram as análises do PHVA (Análise de Viabilidade Populacional e de Hábitat) realizada por SBSG/IUCN com suporte do IBAMA e ICCM (International Committee for Conservation and Management for Leontopithecus Species), resultando na elaboração do Plano de Ações para a conservação da espécie. Isso representa um dos mais importantes passos dados pelo Programa para a Conservação do Mico-leão-da-cara-preta do IPÊ e seus parceiros” comemora Lúcia Agathe.

Idéia Ambiental recebe Prêmio von Martius

O projeto “Em busca do Chauá”, realizado pelo Instituto de Pesquisa e Conservação da Natureza – Idéia Ambiental, foi premiado este mês pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil Alemanha (AHK) com o prêmio von Martius. O projeto, que teve parte do financiamento subsidiado pelo Programa de Proteção às Espécies Ameaçadas de Extinção da Mata Atlântica Brasileira (PEA), tem como espécie alvo a Amazona rhodocorytha, ave classificada na categoria Em Perigo segundo a Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (Machado et al., 2003).

O projeto teve como objetivos contribuir para a preservação das populações remanescentes do papagaio chauá e do que restou de seu ambiente, reunir informações atuais sobre a espécie, identificar ameaças, trazer diretrizes para a sua conservação e dar início a um trabalho de educação ambiental com a população residente na área de estudo.

www.ideaambiental.org.br


TV inglesa e WWF produzem documentário dedicado à arara-azul-grande

Anodorhynchus hyacinthinus
Foto: Marcos Amend
O canal inglês ITV, em parceria com a WWF-Reino Unido e WWF-Brasil, está produzindo um documentário sobre a espécie Anodorhynchus hyacinthinus, a arara-azul-grande. O filme será parte da série The world´s most loved animals (os animais mais amados do mundo) e tem previsão de ir ao ar no primeiro semestre de 2007.

A arara-azul-grande é considerada o maior psitacídeo do mundo, podendo chegar até um metro de comprimento do bico à cauda e está classificada na categoria Vulnerável, segundo a Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (Machado et al., 2005). Foco do documentário e referência na conservação da espécie, o Projeto Arara-Azul é realizado desde 1999 pela UNIDERP (Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal), Instituto Arara Azul, Toyota do Brasil e Refúgio Caiman. Até o momento, o projeto instalou 198 ninhos artificiais e monitora um total de 367 ninhos cadastrados em 54 fazendas. Desde o início do projeto o número de araras-azuis subiu de 1.500 para 5.000 no Pantanal.


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