ANO 1 :: Nº 1 :: 22 DE MAIO DE 2006

“A biodiversidade é o nosso patrimônio comum. Pôr fim à sua perda e garantir a continuação do funcionamento dos ecossistemas, tanto marinhos como terrestres, deve ser uma prioridade para todos nós. A preservação da biodiversidade não é só da responsabilidade dos governos. As organizações internacionais e não governamentais, o setor privado e todas as pessoas têm um papel a desempenhar no que se refere a fazer evoluir as mentalidades e acabar com os comportamentos destrutivos”.
Trecho da mensagem do Secretário-Geral da ONU Kofi Annan, por ocasião do dia Internacional da Diversidade Biológica em 22 de maio de 2005.

O Lançamento desse Boletim no Dia Mundial da Biodiversidade é um caminho que a Biodiversitas escolheu para retribuir aos seus parceiros todo o apoio que vem recebendo ao longo de sua história, nas suas ações para reduzir a perda da biodiversidade. Buscamos ainda motivar uma reflexão e a sensibilização da sociedade sobre suas escolhas e dar maior visibilidade, divulgar e ampliar o alcance das informações sobre as ações desenvolvidas no Brasil e no mundo para a conservação de espécies ameaçadas. O boletim Espécies Ameaçadas Online terá periodicidade mensal e visa divulgar tanto as ações da Biodiversitas para a conservação de espécies, quanto iniciativas de outras instituições ambientalistas, sociedade civil e órgãos governamentais, nacionais e internacionais.

O que você precisa saber:

Diversidade Biológica ou Biodiversidade: significa a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas.

Espécie ameaçada: é aquela cuja população total está diminuindo em ritmo acelerado e pode desaparecer, em áreas específicas ou no seu todo, como resultado da interferência do homem, direta ou indiretamente”. (Dicionário educativo de termos ambientais / Belo Horizonte: A. L. D. Amorim Mazzini, 2003).

Listas Vermelhas:
são listas que indicam as espécies ameaçadas de extinção. Elas são um importante instrumento de política ambiental por possibilitarem o estabelecimento de programas prioritários para a proteção da biodiversidade, fornecendo subsídios para a formulação de políticas de fiscalização, criação de unidades de conservação e definição sobre a aplicação de recursos técnicos, científicos, humanos e financeiros em estratégias de recuperação da fauna ameaçada. As listas também são um importante mecanismo de combate ao tráfico e ao comércio ilícitos de espécies.

IUCN: A União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), ou World Conservation Union, foi fundada em 1948 e é uma organização internacional dedicada à conservação dos recursos naturais. Com sede na Suíça, a IUCN reúne 78 países, 112 agências de governo, 735 ONGs e milhares de especialistas e cientistas de 181 países. A missão da IUCN é influenciar, encorajar e assistir sociedades em todo o mundo na conservação da biodiversidade e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais.

Critérios de Ameaça: No Brasil, a avaliação do grau de ameaça, pressão e risco de desaparecimento das espécies, adota os critérios definidos pela IUCN, que é internacionalmente reconhecida pela elaboração e aprimoramento das listas vermelhas mundiais.

Segundo a IUCN, são três as categorias de ameaça para as espécies: Criticamente em Perigo, Em Perigo e Vulnerável. O que as distingue é o nível de risco das espécies desaparecem da natureza. Além das categorias de ameaça, a avaliação proposta pela IUCN permite definir espécies Extintas, Extintas na Natureza, Quase Ameaçadas, Deficientes em Dados e Não Ameaçadas.
BAZE - Aliança Brasileira para Extinção Zero

O Ministério do Meio Ambiente, em parceria com a Fundação Biodiversitas, oficializou hoje, 22 de maio, durante as comemorações do dia mundial da biodiversidade, a criação da Aliança Brasileira para Extinção Zero (Brazilian Alliance for Zero Extinction – BAZE). O Protocolo de Intenções, apresentado pela Fundação Biodiversitas durante a COP8 (8ª Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológica, realizada em Curitiba/PR, em março de 2006), foi apresentado às instituições governamentais federais, estaduais e municipais, instituições da sociedade civil organizada, incluindo a comunidade acadêmica, ONGs, movimentos sociais, comunidades indígenas e locais e iniciativa privada, para um esforço conjunto de construção e implementação de uma agenda comum de trabalho pela Aliança Brasileira para a Extinção Zero –BAZE. A iniciativa já conta com o apoio de outras 38 instituições conservacionistas.

Saiba mais sobre a BAZE: www.biodiversitas.org.br/baze

Listas de fauna e flora de Minas Gerais

As listas vermelhas de fauna e flora do estado de Minas Gerais, através de uma iniciativa da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SEMAD e do Instituto Estadual de Florestas – IEF, serão atualizadas a partir do segundo semestre de 2006. As mais recentes versões dessas listas datam de 1995 (fauna) e 1997 (flora). A expectativa é que, para ambas as revisões e entre todas as etapas do processo – Preparatória, Consulta Ampla, Seminário e Publicação Final – sejam gastos 12 meses de trabalho, com a participação de 200 especialistas de todo o Brasil. A coordenação da revisão das listas é da Fundação Biodiversitas em parceria com a comunidade científica.

Saiba mais sobre o Projeto: www.biodiversitas.org.br/conservacao

IUCN atualiza lista vermelha mundial
Scinax alcatraz
Foto: Norberto Hulle

Atualizada a cada 2 anos pela IUCN (The World Conservation Union), a lista vermelha de fauna e flora ameaçadas (2006) foi divulgada no último dia 4 de maio, registrando um aumento de 530 espécies em relação a 2004. Totalizando 16.119 animais e plantas de todo o planeta, a lista inclui 721 espécies brasileiras, ou seja, 24 a mais se comparada à versão anterior do documento. Com a estimativa de que existem cerca de 15 milhões de espécies no mundo, sendo conhecidas menos de 2 milhões destas, a principal causa de extinção das espécies ainda é a perda de hábitat, atribuída, principalmente, à ação do homem.

Saiba mais sobre a IUCN e as listas vermelhas mundiais:
www.redlist.org


Ministério do Meio Ambiente lança Edital FNMA Nº 02/2006

O Ministério do Meio Ambiente, por intermédio do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) e a Secretaria de Biodiversidade e Florestas (SBF), em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), lançou o Edital FNMA Nº 02/2006 voltado à "Elaboração de Planos de Recuperação e de Gestão de Espécies de Peixes e Invertebrados Aquáticos", conforme previsto na IN05/2004. Serão aplicados R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais), em apoio financeiro a projetos a partir das chamadas:

Chamada I - Elaboração de planos de recuperação de espécies de peixes e invertebrados aquáticos ameaçadas de extinção; e

Chamada II - Elaboração de planos da gestão para espécies de peixes e invertebrados aquáticos sobreexplotadas ou ameaçadas de extinção.

A data limite para recebimento de projetos é 02/06/2006 e serão realizados cursos de capacitação regionais para elaboração de propostas.

Saiba mais sobre o edital e os cursos de capacitação: www.mma.gov.br/port/fnma

Revisão da Lista da Flora Brasileira Ameaçada de Extinção

A atualização da Lista da Flora Brasileira Ameaçada de Extinção foi encaminhada pela Fundação Biodiversitas ao Ministério do Meio Ambiente em dezembro último para homologação. A lista que vigora hoje no país foi publicada em 1992 (Portaria 006/92-N do IBAMA) e aponta 107 plantas sob ameaça de desaparecimento. A versão revisada da lista indica 1537 espécies da flora do país como ameaçadas, sendo que cerca de 60% destas foram consideradas Vulneráveis e aproximadamente 20% encontram-se em estágio crítico de ameaça, representado pelas categorias Criticamente em Perigo ou Em Perigo. Além das ameaçadas, 08 espécies foram consideradas Extintas e 04 Extintas na Natureza.

A homologação da lista depende da análise da Câmara Técnica da Conabio e houve um atraso devido à participação do MMA na COP 8 (8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, que aconteceu em Curitiba/PR, no mês de março). “A nossa expectativa é que o Ministério publique a Instrução Normativa este ano, mas não há ainda uma previsão de data”, afirma o Dr. Bráulio Ferreira de Souza Dias, Gerente de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente. Também junto à comunidade científica, a expectativa é grande. “Como pesquisador interessado na publicação da lista, posso dizer que ela é de fundamental importância para atender às diretrizes e demandas da CDB. Há urgente necessidade de planos para orientar as ações de conservação e manejo das espécies incluídas na lista, que precisam ser legitimados e apoiados por um documento oficial. Isso certamente promoverá o fortalecimento das ações, bem como facilitará a captação de recursos para projetos de diagnóstico, manejo e restauração. Esse é próximo passo importante para a conservação das espécies. Mas continua dependendo da publicação da lista!”, diz Haroldo Cavalcanti de Lima, pesquisador do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Saiba mais sobre a Lista da Flora Brasileira: www. biodiversitas.org.br/floraBr

Brasil tem três primatas na lista dos 25 mais ameaçados no mundo
Leontopithecus caissara
Foto: Zig Koch

Para gerar respostas sobre a situação crítica de ameaça de inúmeros primatas em todo o mundo, o IUCN/SSC Primate Specialist Group, em parceria com a Conservation International, acaba de divulgar a lista dos 25 primatas mais ameaçados em todo o mundo. Da lista, constam três espécies brasileiras - Leontopithecus caissara, Cebus xanthosternos e Brachyteles hypoxanthus. Estes primatas estão classificados na categoria Criticamente em Perigo também na Lista das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, homologada pelo MMA através das Instruções Normativas 03/03.

Saiba mais sobre a Lista de primatas ameaçados: www.biodiversityscience.org


Programa de Proteção às Espécies Ameaçadas da Mata Atlântica Brasileira
Conheça nesta edição os resultados do projeto “Estudo da distribuição do pato-mergulhão – Mergus octosetaceus, em tributários do rio Grande no sudoeste de Minas Gerais

Com três editais lançados até o momento, o Programa de Proteção às Espécies Ameaçadas de Extinção da Mata Atlântica Brasileira financia, desde 2004, pesquisas que forneçam subsídios para a proteção e o manejo de espécies da flora e fauna ameaçadas desse bioma. Desenvolvido com recursos do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (Critical Ecosystem Partnership Fund – CEPF) e coordenado em parceria pela Fundação Biodiversitas (BH/MG) e CEPAN (Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste), o Programa já contabiliza um total de 46 projetos aprovados, contemplando 59 espécies em 13 estados do país.

Mergus octosetaceus

Em 12 meses, foram amostrados 31 diferentes trechos de 18 cursos d’água e a ocorrência da espécie foi registrada em 7 locais distintos, totalizando 14 indivíduos. Isso significa um aumento de 83% do número de territórios conhecidos para a área de estudo. Considerando a população total na área de estudo, os dados levantados representam um acréscimo de cerca de 17% nessa população. O número é bastante significativo e permite constatar que esta área abriga cerca de 1/3 da população de M. octosetaceus existente na região da Serra da Canastra e é estratégica para a sobrevivência da espécie. O Projeto, subsidiado pelo Programa de Proteção às Espécies Ameaçadas da Mata Atlântica Brasileira, também gerou o mapeamento da ocorrência de M. octosetaceus nos tributários da margem direita do rio Grande. “O crescimento que se verifica das atividades econômicas aí existentes, tais como turismo, agropecuária e mineração, se ocorrer de maneira não planejada pode levar a resultados deletérios para a população local e para a espécie como um todo. É muito importante estabelecer limites o desenvolvimento de empreendimentos turísticos ao longo dos cursos d’água”, explica Sônia Rigueira, responsável técnica pelo projeto e presidente do Instituto Terra Brasilis.

Considerando que o grau de ameaça do pato-mergulhão é muito elevado e que o conhecimento existente sobre o mesmo ainda não é suficiente para garantir a implementação de ações concretas visando a sua conservação, torna-se urgente a obtenção de dados bio-ecológicos mínimos, a curto prazo, sobre essa espécie. “Ampliar o conhecimento sobre a biologia do pato-mergulhão é de grande importância para o estabelecimento de medidas de proteção da espécie. No momento, a região da Serra da Canastra é a que oferece melhores condições de desenvolvimento de pesquisas que podem trazer respostas aplicáveis às questões de manejo da espécie”, completa Sônia.

Para conhecer todos os projetos aprovados, acesse www.biodiversitas.org.br

Evento discute manejo e conservação de fauna silvestre

Com o apoio da Fundação Biodiversitas, Vale Verde Mega Zoo, CRBio 4, IBAMA/MMA e Colégio Arnaldo, a ASIBAMA (Associação dos Servidores do IBAMA/MG) realiza, entre os dias 05 e 09 de junho de 2006, em Belo Horizonte, o evento “Manejo e Conservação de Fauna Silvestre”. As palestras acontecem de 18h00 às 22h00, no Colégio Arnaldo (Praça João Pessoa, 200) e as vagas são limitadas. As inscrições podem ser feitas no site www.asibamamg.com.br e custam R$ 40,00 para estudantes de graduação e R$ 80,00 para prodissionais e pós-graduandos.

Saiba mais sobre o evento: www.asibamamg.com.br

SOS Mata Atlântica promove 2ª edição do evento “Viva a Mata” em maio

De 26 a 28 de maio o Parque do Ibirapuera, em São Paulo, será palco da segunda edição do evento “Viva a Mata”. Criado e realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica desde 2005, o evento é aberto ao público e inclui em sua programação exposições, painéis de debate, oficinas, palestras, atividades educativas e de lazer, jogos e manifestações artísticas, entre outras atrações.

Além de participar do “Viva a Mata” nos estands temáticos de fauna e flora, em 2006 a Fundação Biodiversitas também irá marcar presença através da participação de cinco projetos apoiados pelo Programa de Proteção às Espécies Ameaçadas da Mata Atlântica Brasileira, do qual é coordenadora juntamente com o CEPAN.

Saiba mais sobre a SOS Mata Alântica e o “Viva a Mata”: www.sosma.org.br


Fale com a gente :: Envie uma notícia :: Cancele o recebimento deste informativo
www.biodiversitas.org.br :: comunicacao@biodiversitas.org.br