ANO 1 :: Nº 8 :: 22 DE DEZEMBRO DE 2006

,

O que você precisa saber

RPPN Mata do Sossego
Foto: João Marcos Rosa
Unidades de Conservação - “Espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção” (Lei Federal Nº 9985, de 18/07/2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC).



SNUC -
Conjunto das Unidades de Conservação federais, estaduais e municipais. Com características de manejo diferenciadas, estas áreas podem ser divididas em 2 grupos: Unidades de Proteção Integral (Estação Ecológica, Reserva Biológica, Parque Nacional, Parque Estadual, Monumento Natural ou Refúgio da vida Silvestre) e Unidades de Uso Sustentável (Área de Proteção Ambiental, Área de Relevante Interesse Ecológico, Floresta Nacional, Floresta Estadual, Reserva Extrativista, Reserva de Fauna, Reserva de Desenvolvimento Sustentável e Reserva Particular do Patrimônio Natural).

2006 chega ao fim deixando um valioso saldo de projetos desenvolvidos pela Biodiversitas

Ao longo de 2006 a Fundação Biodiversitas elaborou, participou e coordenou vários projetos de fundamental importância para a conservação da biodiversidade brasileira. Em uma breve retrospectiva, alguns destes projetos merecem destaque nesta última edição do ano do boletim informativo Espécies Ameaçadas Online. Entre as várias ações realizadas pela instituição nos últimos doze meses, destacamos a seguir a criação da Aliança Brasileira para Extinção Zero (Brazilian Alliance for Zero Extinction – BAZE), a continuidade do Programa de Proteção às Espécies Ameaçadas de Extinção da Mata Atlântica Brasileira (PEA), a Revisão das Listas das Espécies de Fauna e Flora Ameaçadas de Extinção do Estado de Minas Gerais e o Projeto Biota Minas.

Oficializada em 22 de maio pelo Ministério do Meio Ambiente e com o apoio de outras 40 instituições conservacionistas, a BAZE tem como objetivo organizar e unir esforços de conservação de forma que todos trabalhem com uma meta comum: a extinção zero das espécies sob risco de desaparecimento no país. Após seu reconhecimento no âmbito governamental, a BAZE teve seu primeiro projeto apoiado pela parceira Conservação Internacional (CI Brasil). O projeto “Identificação dos Sítios Prioritários para a Conservação das Espécies Ameaçadas de Extinção no Âmbito da Aliança Brasileira para Extinção Zero – BAZE” irá identificar os sítios prioritários para a conservação da fauna brasileira ameaçada de extinção, além de estabelecer as estratégias para conservação dessas áreas. O projeto está sob a coordenação da Fundação Biodiversitas, mas segundo a Superintendente Técnica da instituição, Gláucia Drummond, “o sucesso da iniciativa irá depender da contribuição de todos os signitários da Aliança, de acordo com suas capacidades técnicas, operacionais e política”.

Já o PEA, desenvolvido com recursos do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (Critical Ecosystem Partnership Fund – CEPF) e coordenado em parceria com o CEPAN (Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste), chegou a seu quarto edital em 2006. O Programa financia, desde 2004, pesquisas direcionadas a espécies da flora e fauna ameaçadas da Mata Atlântica e já contabiliza um total de 51 projetos aprovados, contemplando 94 espécies em 13 estados do país. Em 2006, o PEA inaugurou uma nova vertente, lançando um edital voltado exclusivamente para anfíbios, com financiamento da Conservation International. No total, cinco projetos que serão desenvolvidos em sete estados do país e irão estudar 41 espécies de anfíbios foram
selecionados. “Estes cinco projetos irão visitar dezessete localidades e percorrer 10.650 Km em busca de dados que permitam elucidar a situação de ameaça desses 41 anfíbios. Nove instituições e 38 pesquisadores estão envolvidos nos estudos e é fundamental destacar que 60% do montante investido nessas pesquisas serão aplicados no levantamento de dados em campo”, comemora Gláucia Drummond. É importante ressaltar que, segundo informações da Aliança para a Sobrevivência dos Anfíbios (ASA, na sigla inglesa), 32,5% das espécies conhecidas de anfíbios em todo o mundo estão sob risco de extinção, sendo que mais de 120 das cerca de seis mil espécies conhecidas já foram extintas desde a década de 1980 e que mais de 50% das sobreviventes vêm sofrendo declínios de população.

Phyllomedusa ayeaye
Foto: Célio Haddad
Em relação às espécies sob risco de extinção em Minas Gerais, a Biodiversitas encerrou, neste segundo semestre, os projetos de revisão das Listas Vermelhas de flora e fauna do Estado. Em dois workshops realizados pela instituição, em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD) e Instituto Estadual de Florestas (IEF), e patrocínio da Votorantim Metais, os eventos aconteceram nos meses de agosto e setembro, em Belo Horizonte (MG), e reuniram cerca de 160 especialistas de todo o país. No Workshop de Revisão da Lista da Flora Ameaçada de Minas Gerais foram avaliadas 2.767 espécies de plantas, sendo 1.145 indicadas para
a lista vermelha nas categorias Criticamente em Perigo (368), Em Perigo (288) e Vulnerável (480), além de 09 já extintas. Já no Workshop que revisou a Lista da Fauna Ameaçada do Estado, 2.459 espécies foram analisadas e um total de 273 animais foram classificados nas categorias Criticamente em Perigo (107), Em Perigo (85) e Vulnerável (81). Em ambos os casos, as listas finais serão encaminhadas ao Conselho Estadual de Política Ambiental (COPAM), para análise e homologação, o que as tornará oficiais em Minas Gerais. “De forma inédita, toda a fauna de vertebrados e, entre os invertebrados, a fauna de abelhas, teve seu status de conservação avaliado. O Estado passa a ter, assim, um documento estratégico para o direcionamento da sua política ambiental, investimentos em conservação e no desenvolvimento econômico responsável”, destaca o Diretor do Centro de Dados para Conservação da Biodiversidade (CDCB) da Fundação Biodiversitas, Cássio Soares Martins.

Também em destaque, o Projeto “Diagnóstico do Conhecimento da Biodiversidade no Estado de Minas Gerais: conservação, uso e biotecnologia - Subsídio para o Biota Minas”, foi iniciado em 2006 e prevê a identificação de lacunas e demandas do conhecimento sobre fauna e flora do Estado através de uma ampla consulta à comunidade científica, instituições de ensino e pesquisa e gestores ambientais de Minas Gerais. Em sua etapa final, prevista para o próximo ano, a base de dados e as informações compiladas durante o projeto serão utilizadas pela SECTES/MG e FAPEMIG para a criação do Programa Biota Minas. “O Biota Minas, quando da sua implementação, irá direcionar seus investimentos financeiros às pesquisas que forem prioritárias para garantir efetivamente a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento biotecnológico em Minas Gerais”, explica Gláucia Drummond. A base de dados sobre espécies ameaçadas de Minas Gerais, gerada a partir da revisão das listas vermelhas da flora e fauna, será de extrema importância no direcionamento de pesquisas que devem ser investidas para reverter o quadro de ameaça no Estado. “Com isso, o projeto já começa integrando a pesquisa, a conservação e o uso da riqueza biológica, o que representará um impacto ambiental e também sócio-econômico para o Estado”, conclui Magda Barcelos Greco, coordenadora do projeto pela SECTES/MG.



Maior reserva florestal do mundo é criada no Pará

O governador do Pará, Simão Jatene, assinou no último dia 04 a criação do maior conjunto de áreas de conservação em floresta tropical do planeta. Somente na calha norte do rio Amazonas, são 12,7 milhões de hectares de floresta em área contínua, divididos em cinco Unidades de Conservação. Somadas a duas outras áreas criadas na calha sul, as sete novas reservas do Pará totalizam 15 milhões de hectares, elevando para 55,4% o território protegido do Estado. Entre as novas Unidades de Conservação está a maior já criada no Brasil, a Estação Ecológica Grão-Pará, com 4,2 milhões de hectares.

Com a criação das novas Unidades de Conservação, surge também o maior corredor ecológico do mundo, com mais de 3.000 quilômetros inseridos em áreas protegidas (parques, terras indígenas e florestas de uso sustentável), que vão da fronteira do Amazonas com a Colômbia até o litoral do Estado do Amapá. A região, ainda pouco afetada pela ação antrópica, terá o inventário de biodiversidade realizado pela ONG Conservação Internacional (CI - Brasil) a partir de 2007.

(www.conservacao.org.br)

Notícias da UICN Sur



*A coluna “Notícias da UICN Sur” é publicada em todas as edições do informativo eletrônico Espécies Ameaçadas Online e traz matérias enviadas pelo escritório regional da América do Sul, em Quito, Equador.
Noticias desde el Programa de Especies de la UICN

Ha concluido el rediseño del módulo de entrada de la base de datos SIS, el cual permite a esta herramienta la recolección y preparación de la información que se utiliza para la Lista Roja de la UICN siendo ahora ampliamente utilizada en los talleres de evaluación de los Grupos de Especialistas involucrados en estas evaluaciones. Así mismo, el programa denominado “Strengthening pro-poor wetland conservation using integrated biodiversity and livelihoods assessment” se encuentra desarrollando métodos integrados para documentar el valor de la biodiversidad asociada a humedales en términos de su valor a los modos de vida, usando mapas para combinar y presentar la información a los tomadores de decisiones. La intregración se la realiza a través del análisis de la biodiversidad, el análisis de los modos de vida y la evaluación socioeconómica. Estas tres disciplinas son utilizadas frecuentemente para analizar problemas similares pero con poca o casi ninguna integración, considerando sin embargo, que un enfoque integrado tiene el potencial de presentar propuestas para usos alternativos de los humedales.

Para mayor información pro favor remitirse a: http://www.iucn.org/themes/ssc/


Fundo Fauna Brasil é criado

O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e o IBAMA, em parceria com o Ministério Público Federal, assinaram no último dia 14 uma carteira para Conservação da Fauna e dos Recursos Pesqueiros do país. Denominado Fauna Brasil, o Fundo deve receber R$ 2,7 milhões ainda em 2006, vindos da conversão de multas, penas alternativas, doações, patrocínios e mitigação dos danos.

A criação do fundo se justifica por que, até o momento, o IBAMA mantém uma média anual de R$ 110 milhões em multas, mas somente 14% deste montante é encaminhado à conta única da União, sem a garantia de sua aplicação direta na conservação da biodiversidade. Entre os programas que poderão ser financiados com recursos do Fundo Fauna Brasil, estão o de conservação de espécies ameaçadas de extinção e migratórias; o de uso sustentável de espécies autóctones; o de manejo de espécies invasoras e o de desenvolvimento da capacidade técnica para conservação e uso sustentável da fauna.

www.ibama.gov.br


Programa de Proteção às Espécies Ameaçadas da Mata Atlântica Brasileira

Ucides cordatus
Foto: Marcelo A A Pinheiro
Com quatro editais voltados para fauna e flora lançados até o momento, o Programa de Proteção às Espécies Ameaçadas de Extinção da Mata Atlântica Brasileira financia, desde 2004, pesquisas que forneçam subsídios para a proteção e o manejo de espécies da flora e fauna ameaçadas desse bioma. Desenvolvido com recursos do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (Critical Ecosystem Partnership Fund – CEPF) e coordenado em parceria pela Fundação Biodiversitas (BH/MG) e CEPAN (Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste), o Programa já contabiliza um total de 51 projetos aprovados, contemplando 94 espécies em 13 estados do país.
Conheça nesta edição os resultados do projeto “Biologia e Manejo do Caranguejo-Uçá, Ucides cordatus (Crustacea, Brachyura, Ocypodidade)”:

Utilizado como fonte de alimento pelo homem, o Caranguejo-Uçá é amplamente consumido e apreciado em todo o litoral brasileiro, onde é considerado uma iguaria, sendo uma importante fonte de renda para comunidades tradicionais. Aprovado no Edital 01/2004 e finalizado em 2006, o projeto “Biologia e Manejo do Caranguejo-Uçá, Ucides cordatus (Crustacea, Brachyura, Ocypodidade)” teve como objetivo analisar a associação, importância relativa e influência de parâmetros exógenos sobre a densidade e estrutura populacional da espécie, além de realizar uma avaliação de seu potencial extrativo e de reprodução. Para isto, exemplares da espécie foram capturados mensalmente, durante um ano, em uma ilha estuarina próxima à barra de Icapara, em Iguape (SP), para serem medidos, pesados e sexados. Na ilha, a equipe coordenada pelo Professor Dr. Marcelo Antonio Amaro Pinheiro demarcou pontos de ocorrência com GPS e estes dados foram utilizados na elaboração de um Sistema de Informações Geográficas (SIG). As informações coletadas também foram submetidas a uma análise de associação para conhecimento da importância relativa e conjunta desses parâmetros na distribuição de U. cordatus, indicando áreas de manguezal destinadas à exploração racional ou conservação.

Os dados de tamanho, peso, razão sexual, densidade e potencial reprodutivo coletados servirão como base para a proposição de um modelo de manejo, possibilitando um melhor gerenciamento do Caranguejo-Uçá e sua sustentabilidade extrativa, além de prover os órgãos gestores e fiscalizadores com os dados científicos necessários à adequação das portarias de defeso dessa espécie. Em suas considerações sobre o estudo, o Prof. Marcelo Antonio Amaro Pinheiro, responsável técnico pelo projeto, destaca que os fatores ambientais que modulam as populações de caranguejos de manguezal ainda não estão claramente definidos, o que seria importante, já que exercem grande influência sobre a distribuição espacial, padrões comportamentais e demais atividades do caranguejos semi-terrestres. Mesmo assim, o projeto desenvolvido identificou importantes informações nesse sentido. “O estudo indica, por exemplo, que as diferenças de tamanho e densidade de Ucides cordatus são regidas pela predominância da vegetação e pelo nível de inundação da área de manguezal”, explica Marcelo.

O estudo identificou, ainda, que nas áreas de manguezal alto, foram registradas as maiores densidades de galerias do Caranguejo-Uçá, de indivíduos de menor porte, ocorrendo o inverso nas áreas de manguezal baixo, que recebem maior influência das marés e são mais inundadas. “Com isso, é possível inferir que, em fase larval, o U. cordatus escolhe os manguezais altos, com menor nível de inundação, por suas melhores condições ambientais, particularmente em relação aos maiores valores térmicos – do ar, solo e da água – e de teores de cálcio e magnésio”, diz Marcelo. Ele explica ainda, que a elevação térmica atua de forma positiva sobre o processo de muda dos crustáceos, acelerando o metabolismo e permitindo uma maior freqüência de muda, enquanto os teores de cálcio e magnésio são imprescindíveis à formação do novo exoesqueleto.

De forma geral, os resultados apresentados por este projeto possibilitam indicar precauções a serem tomadas em estudos futuros sobre a ecologia de manguezais, bem como sobre aspectos biológicos e de cultivo da espécie. O projeto recomenda, ainda, cuidadosos estudos sobre o impacto ecológico, financeiro e cultural sobre as populações tradicionais. “A captura dos caranguejos no ambiente natural e sua comercialização são processos tradicionais e culturais das comunidades litorâneas, sendo necessários estudos sócio-econômicos que visem a minimização do impacto econômico-cultural sobre as mesmas”, conclui o Prof. Marcelo.



Associe-se à Biodiversitas
 
A luta pela preservação da biodiversidade brasileira é a missão da Biodiversitas há mais de quinze anos. Neste período, atividades de pesquisa, levantamentos biológicos e divulgações científicas só foram possíveis através de convênios e doações de pessoas físicas e empresas ecologicamente envolvidas.
Tornando-se um sócio-contribuinte da Biodiversitas, você irá atuar diretamente na preservação de espécies da fauna e da flora brasileiras ameaçadas de extinção. Seu apoio é fundamental para que nosso trabalho continue gerando resultados positivos na conservação da biodiversidade do país. Associando-se à Biodiversitas você terá acesso a conteúdos exclusivos no site, notícias sobre os projetos desenvolvidos pela Fundação e ainda irá ganhar brindes, participar de promoções e muito mais. A Biodiversitas oferece ainda uma carteirinha personalizada que dá direito a descontos especiais na compra dos produtos da Ecolojinha.
Acesse nossa página na Internet e comece a contribuir para a conservação da biodiversidade brasileira:

www.biodiversitas.org.br/socio/




Edição anterior deste boletim disponível no endereço
http://www.biodiversitas.org.br/boletim/EAO/


Fale com a gente :: Envie uma notícia :: Cancele o recebimento deste informativo
www.biodiversitas.org.br :: comunicacao@biodiversitas.org.br