ANO 2 :: Nº 12 :: 27 DE ABRIL DE 2007

Acredito que muitos de vocês têm acompanhado as notícias sobre o andamento da Lista da Flora Brasileira Ameaçada de Extinção. A lista vigente, datada de 1992, foi revisada em 2005 em um processo coordenado pela Fundação Biodiversitas, com participação de 300 especialistas nas famílias botânicas brasileiras. Finalizada a avaliação sobre o risco de extinção das espécies, o resultado foi encaminhado ao MMA e IBAMA para que pudessem conhecer a lista proposta. Encerrada essa etapa, o MMA solicitou informações adicionais sobre as espécies relacionadas, as quais estão sendo finalizadas até o dia 30/4 pelo Grupo de Coordenação Científica da revisão, com a perspectiva de sua aprovação até o próximo dia 22 de maio. A lista foi elaborada com o melhor do conhecimento hoje disponível sobre as nossas plantas, o que nos faz seguros sobre o documento entregue aos órgãos gestores. A homologação da lista deverá contribuir significativamente para que sejam traçadas no Brasil políticas públicas melhor direcionadas para conter as ameaças às quais as espécies e seus hábitats estão submetidas. Mais uma vez, a Biodiversitas agradece a todos que disponibilizaram sua experiência e conhecimento para elaboração da nova lista e espera dividir esse mérito com todos no dia 22 de maio.

Gláucia Moreira Drummond
Superintendente Técnica
Fundação Biodiversitas

O que você precisa saber
 
Categorias de ameaça utilizadas nas listas vermelhas:

Extinto (EX): um táxon é considerado Extinto quando não restam dúvidas de que o último indivíduo existente morreu.

Extinto na natureza (EW): um táxon está Extinto na Natureza quando sobrevive apenas em cativeiro, após exaustivos levantamentos em seus hábitats conhecidos ou esperados.

Criticamente Em Perigo (CR) - um táxon é considerado Criticamente Em Perigo quando corre um risco extremamente alto de extinção na natureza em um futuro imediato.


Em Perigo (PE) -
táxon que não está Criticamente em Perigo, mas corre um risco muito alto de extinção na natureza em um futuro próximo.

Vulnerável (VU) - táxon que não se enquadra nas categorias Criticamente em Perigo ou Em Perigo, mas corre um risco alto de extinção na natureza a médio prazo.


* Existem ainda as categorias Regionalmente Extinta (RE), Quase Ameaçada (NT), Dados Deficientes (DD), Não Ameaçada (LC) e Não Avaliada (NE).

Estudos realizados no Parque Estadual do Rola Moça apontam ocorrência de 7,5% das espécies conhecidas em Minas Gerais
 
Muriqui
Puma concolor
Foto: João Marcos Rosa
De acordo com o inventário de fauna (exceto peixes) e flora coordenado pela Fundação Biodiversitas para elaboração do Plano de Manejo do Parque Estadual do Rola Moça, a Unidade de Conservação abriga hoje 893 das 11.910 espécies de animais e plantas conhecidas no Estado. Isso significa que o Parque abriga, pelo menos, 7,5% do total de espécies que ocorrem em Minas Gerais. Desenvolvido a partir de contrato firmado com o Programa de Proteção da Mata Atlântica (PROMATA) e o Instituto Estadual de Florestas (IEF), o Plano de Manejo do Parque Estadual do Rola Moça foi concluído este mês.

Das 258 espécies de plantas registradas na Unidade, duas são endêmicas (Artrocereus glaziovii e Aulonemia effusa) e
10 se enquadram em alguma categoria de ameaça no país (Dalbergia nigra, Melanoxylum brauna, Guatteria sellowiana, Lychnophora pinaster, Artrocereus glaziovii, Ditassa linearis, Cinnamomum quadrangulum, Physocallyx major, Mikania glauca e Hololepis pedunculata). Entre os animais, são endêmicas do Parque 06 espécies de aves (Melanopareia torquata, Polystictus superciliaris, Cyanocorax cristatellus, Porphyrospiza caerulescens, Embernagra longicauda e Antilophia galeata) e 06 espécies de mamíferos (Didelphis aurita, Marmosops incanus, Pseudalopex vetulus, Chrysocyon brachyurus, Sciurus aestuans e Callicebus nigrifrons). Seis das espécies de animais registradas no estudo também se enquadram em alguma das categorias de ameaça no país (P. vetulus, C. brachyurus, Leopardus tigrinus, Puma concolor, Mazama americana e M. gouazoupira).

A verificação desses dados reforça, mais uma vez, a fundamental importância da criação e manutenção de Unidades de Conservação como estratégia para a preservação da diversidade biológica brasileira.
 
Nova espécie de anfíbio identificada em São Paulo

Encontrada pela primeira vez em 2004, durante pesquisa realizada em projeto apoiado pela Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, a espécie Scinax peixotoi foi oficialmente reconhecida pela ciência. Descrito em artigo científico publicado pela revista Zootaxa, em janeiro de 2007, o anfíbio é endêmico da ilha da Queimada Grande, no litoral de São Paulo. Pertencente ao grupo Scinax perpusillus, no qual estão alocadas espécies do gênero Scinax, a perereca é de pequeno porte - cerca de 3 cm de comprimento - e se reproduz exclusivamente em bromélias.

Considerando que a espécie conta com poucos indivíduos e sua distribuição geográfica é restrita, os pesquisadores do projeto “Diversidade e conservação de anfíbios em ilhas no Estado de São Paulo” afirmam que Scinax peixotoi poderia ser
incluída na categoriaCriticamente em Perigo, na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, da União Mundial para a Natureza (IUCN).

Coordenado pela bióloga Cínthia Brasileiro, o projeto registrou espécies de anfíbios em 15 ilhas do litoral paulista. O estudo constatou que há uma baixa diversidade de anfíbios nessas ilhas mas, em contrapartida, há um elevado grau de endemismo: pelo menos uma espécie endêmica foi localizada em cada ilha pesquisada. Cínthia Brasileiro ressalta que a maior parte dessas ilhas não é protegida por Unidades de Conservação e que serão necessários esforços adicionais de conservação para manter espécies únicas, como a Scinax peixotoi.

1.008.965 espécies de organismos vivos catalogadas em projeto

Uma parceria entre as organizações especializadas em taxonomia, Itis (Integrated Taxonomic Information Systems) e Species 2000, iniciada no ano de 2001, tem como objetivo a cobertura, até 2011, de todas as 1,75 milhão de espécies de organismos vivos conhecidos. Informações vindas de bancos de dados de organizações científicas de todo o mundo e colaborações de mais de 3 mil especialistas estão sendo compiladas para a formatação de uma lista única, batizada de “Catálogo da Vida”. A checagem, feita
anualmente, compila dados de organismos vivos que variam de animais e plantas a fungos e microorganismos como bactérias, protozoários e vírus. Até o momento, 1.008.965 espécies de organismos já foram catalogados, o que representa – provavelmente - pouco mais da metade das espécies conhecidas em todo o planeta.

Saiba mais: www.catalogueoflife.org
(BBC Brasil/ Estadão Online)
Projeto comemora a mais completa investigação já realizada sobre o Lobo-guará

Muriqui
Chrysocyon brachyurus
Foto: Flávio Rodrigues
Coordenado pelo Instituto Pro-Carnívoros e CENAP/IBAMA (Centro Nacional de Pesquisas para a Conservação de Predadores Natu--rais), o projeto “Lobos da Canastra” é desenvolvido desde 2004 na região da serra da Canastra e tem como meta a conservação do Chrysocyon brachyurus (Lobo-guará), espécie classificada na categoria Vulnerável (VU), segundo a Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (Machado et al., 2003). Como objetivo principal, o projeto visa levantar informações suficientes para subsidiar ações que diminuam os impactos sobre as populações da espécie.

Em março último, a equipe responsável pelo estudo comemorou, além do significativo número de 200 capturas entre os 35 animais monitorados no período, a conclusão da
mais completa investigação sobre a espécie. Entre as diversas informações científicas inéditas registradas, o projeto verificou, através de minuciosa análise das taxas hormonais dos animais capturados, que os exemplares de C. brachyurus que habitam áreas de fazendas (e por isso estão sujeitos aos mais diversos impactos em seu dia-a-dia), sofrem grande stress, o que é refletido em sua fisiologia, ao contrário dos animais que vivem dentro do Parque Nacional da Serra da Canastra. A constatação deste fato vem reforçar a necessidade da implementação de Unidades de Conservação para se assegurar a saúde de animais selvagens. Também pela primeira vez, coletou-se sêmen de lobos-guarás na natureza, o que, até o momento, havia acontecido somente em zoológicos.

Estas preciosas informações científicas e os resultados positivos do projeto têm também inestimável valor para o Parque Nacional da Serra da Canastra, que completa 35 anos em 2007.

(Fonte: Ascom - CENAP/IBAMA)


CEPF – Mata Atlântica promove seminário de encerramento

Formado pelo Banco Mundial, Conservation International, Fundação MacArthur, Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF) e Governo do Japão, o Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (Critical Ecosystem Partnership Fund – CEPF) destinou, ao longo de cinco anos, US$ 200 milhões para os 25 hotspots (regiões criticamente em perigo e com elevado grau de diversidade biológica) em todo o mundo. No Brasil, o CEPF fomentou estudos e ações de conservação da Mata Atlântica, o bioma mais ameaçado do país.

Com atividades iniciadas em 2002, a primeira fase do CEPF – Mata Atlântica encerra-se em 2007. Para tanto, entre 24 e 27 de maio será realizado o Seminário Final do CEPF-Mata

Atlântica, evento que irá contar com a presença de representantes dos projetos apoiados pelo Fundo no bioma, além das coordenações local e global do CEPF. O Seminário acontece paralelamente ao “Viva a Mata”, evento anual promovido pela Fundação SOS Mata Atlântica no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

Até o momento, estão confirmadas as presenças de coordenadores de 25 projetos subsidiados pelo Programa de Proteção às Espécies Ameaçadas da Mata Atlântica Brasileira, desenvolvido com recursos do CEPF e coordenado em parceria pelo CEPAN e Fundação Biodiversitas.


http://www.aliancamataatlantica.org.br/araponga_online10.htm

Programa de Proteção às Espécies Ameaçadas da Mata Atlântica Brasileira

Com quatro editais voltados para fauna e flora lançados até o momento, o Programa de Proteção às Espécies Ameaçadas de Extinção da Mata Atlântica Brasileira financia, desde 2004, pesquisas que forneçam subsídios para a proteção e o manejo de espécies da flora e fauna ameaçadas desse bioma. Desenvolvido com recursos do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (Critical Ecosystem Partnership Fund – CEPF) e coordenado através da parceria entre a Fundação Biodiversitas (BH/MG) e CEPAN (Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste, Recife, PE), o Programa já contabiliza um total de 51 projetos aprovados, contemplando 94 espécies em 13 Estados do país.

Muriqui
Amazona rodocorytha
Foto: Luís Fábio Silveira
Conheça nesta edição os resultados do projeto “Em busca do Chauá – Ocorrência, Abundância e Condições de Hábitat de Amazona rhodocorrytha”:

Com o objetivo de contribuir para a preservação das populações remanescentes do papagaio chauá e do que restou de seu ambiente, a Mata Atlântica, o projeto “Em busca do Chauá – Ocorrência, Abundância e Condições de Hábitat de Amazona rhodocorrytha” trabalha desde 2004 para reunir informações atuais sobre a espécie, identificar ameaças, trazer diretrizes para sua conservação e dar início a um trabalho de educação ambiental com a população residente na área de estudo. A idéia é que o projeto reúna dados inéditos sobre a espécie, que vem sofrendo decréscimo populacional em razão da destruição ambiental. Realizado pelo Instituto de Pesquisa e Conservação da Natureza – Idéia Ambiental, o projeto, que tem parte do financiamento subsidiado pelo Programa de Proteção às Espécies Ameaçadas de Extinção da Mata
Atlântica Brasileira, foi premiado em novembro último pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil Alemanha (AHK) com o prêmio von Martius.

Representante típica das florestas do Brasil, a A. rhodocorrytha está classificada na categoria Em Perigo (EN), segundo a Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (Machado et al., 2003), e também é parte das listas vermelhas da BirdLife International e da União Mundial para a Natureza (IUCN), além de estar incluída no apêndice I da Convenção Internacional Sobre Comércio de Fauna e Flora Silvestres (CITES).

Realizado no Estado do Espírito Santo, o projeto coordenado pelo biólogo Pedro Scherer Neto delimitou os sítios amostrais dentro da área de estudo, realizando visitas periódicas a campo para a obtenção de informações sobre a ocorrência da espécie e locais de nidificação, além de registros do número de indivíduos, georeferenciamento e idade dos exemplares encontrados. “O método de amostragem utilizado é o de taxa de encontro, baseado na contagem de animais a partir de contatos visuais e auditivos. Esta técnica resulta em um índice de abundância relativa dos indivíduos registrados, pelo total de horas de campo”, explicou Scherer no documento de apresentação do projeto.

Até o momento, 907 chauás foram avistados e 402 informações de ocorrência coletadas junto aos moradores da região estudada. Como medidas de conservação de A. rhodocorrytha na região, a equipe do projeto recomenda a preservação de todos os remanescentes florestais encontrados nos sítios amostrais, a intensificação da fiscalização contra o tráfico de animais silvestres e o desenvolvimento de ações de educação ambiental. Ao final do projeto, as informações acumuladas irão subsidiar novos estudos focados na espécie e poderão, também, ser empregadas para a conservação e manejo da espécie.

Notícias da UICN Sur
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*A coluna “Notícias da UICN Sur” é publicada em todas as edições do informativo eletrônico Espécies Ameaçadas Online e traz matérias enviadas pelo escritório regional da América do Sul, em Quito, Equador.

Plantas medicinales y aromáticas en América del Sur: tema central del Boletín No. 12 de Especies Amenazadas

La importancia global socio-económica de las plantas medicinales y aromáticas es cada vez más reconocida, no solamente como un recurso vital para la salud y el bienestar humano, sino por su riqueza cultural y biológica. Estos recursos naturales, son considerados claves para los distintos sistemas de medicina a nivel mundial, así como para la conservación de la biodiversidad, por su papel fundamental en los ecosistemas y en la supervivencia animal y humana, sobre todo para varias comunidades cuyos ingresos dependen de la venta de las plantas. Su valor real y potencial han sido motivo de numerosas investigaciones, así como de un creciente uso y demanda, no solamente como materia prima sino como productos varios que se ofrecen en el mercado.

La edición No. 12 del Boletín Especies Amenazadas de UICN-Sur pretende, por un lado, informar sobre algunas de

las iniciativas globales, regionales, nacionales y locales que buscan garantizar la
supervivencia y el buen uso de estos recursos y, por otro, hacer un llamado a todos los sectores y grupos de interés para que se integren a estas iniciativas, difundan sus investigaciones y otros trabajos relacionados con la conservación y el manejo sostenible de plantas medicinales y aromáticas.

En esta edición, usted podrá conocer el trabajo que realiza el Grupo de Especialistas en Plantas Medicionales de la UICN; las Directrices Mundiales para su conservación; la Estrategia Global de Conservación Vegetal, con el trabajo de los Jardines Botánicos de Argentina y Brasil; el Estándar Internacional para la Recolección Silvestre Sostenible; iniciativas nacionales para la conservación de plantas medicinales en Colombia, Ecuador, Argentina y Brasil; noticias y eventos.

El boletín electrónico Especies Amenazadas está disponible en: http://www.sur.iucn.org/listaroja/boletin/boletin12/index.htm

Mayor información: Ximena Buitrón, Grupo de Especialistas en Plantas Medicinales de la CSE/UICN, ximena.buitron@sur.iucn.org

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A luta pela preservação da biodiversidade brasileira é a missão da Biodiversitas há mais de quinze anos. Neste período, atividades de pesquisa, levantamentos biológicos e divulgações científicas só foram possíveis através de convênios e doações de pessoas físicas e empresas ecologicamente envolvidas.
Tornando-se um sócio-contribuinte da Biodiversitas, você irá atuar diretamente na preservação de espécies da fauna e da flora brasileiras ameaçadas de extinção. Seu apoio é fundamental para que nosso trabalho continue gerando resultados positivos na conservação da biodiversidade do país.

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Edição anterior deste boletim disponível no endereço
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